Cristalina e Goianésia também estão entre os 50 municípios que se destacaram no ranking nacional de criação de empregos no 1º semestre

Com um saldo de 12.632 empregos gerados no primeiro semestre, Goiânia foi a quarta cidade que mais criou vagas com carteira assinada no País, entre janeiro e junho. Outros dois municípios goianos também se destacaram no cenário nacional na geração de novos postos de trabalho: Cristalina (47º lugar) e Goianésia (48º), conforme informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), levantamento feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Na capital, apenas dois setores foram responsáveis por praticamente todos os postos criados na primeira metade do ano. A área de serviços somou 7.648 vagas – 60% do total do período. As oportunidades estavam principalmente nas empresas de administração de imóveis e serviços técnicos (2.421), ensino (1.649), área de hotéis, bares, restaurantes, reparação e manutenção (1.352) e na saúde, no segmento médico, odontológico e veterinário (1 mil).

O outro destaque de Goiânia foi para a construção civil, com 4.274 vagas (34%). Para o economista Eber Vaz, alguns fatores podem ter contribuído para o destaque da capital goiana entre as quatro cidades principais geradoras de emprego. Um deles é que o crescimento de renda em polos econômicos próximos (como Anápolis e Aparecida de Goiânia) tenha movimentado o consumo de serviços na cidade e, com isso, estimulado a geração de vagas de trabalho.

A outra explicação é baseada no cenário de desaceleração do ritmo de criação de vagas. “Como estamos num momento de redução das taxas do crescimento brasileiro, pode ser que nas outras cidades esse impacto tenha sido maior do que em Goiânia e, por isso, ela tenha ficado entre as primeiras do ranking”, afirma.

O presidente da Associação dos Economistas de Goiás (Asecon), Edilson Aguiais, faz uma análise ainda mais crítica. Segundo ele, o destaque da prestação de serviços que sustentou o crescimento de empregos em Goiânia é resultado da precariedade do mesmo setor no interior do Estado.

“O consumidor que teve uma melhora de renda antes, adquiriu produtos e bens (um carro ou um micro-ondas, por exemplo). Agora, ele precisa de assistências autorizadas que não existem na maior parte dos municípios goianos e, para isso, ele tem de procurá-las na capital”, analisa.

Mesmo colocando a cidade na quarta posição do País em saldo de vagas formais de trabalho, a geração de empregos em Goiânia neste primeiro semestre é 15% menor do que a do mesmo período do ano passado. De janeiro a junho de 2013, foram criados 14.834 novos postos – 2,2 mil a mais do que em 2014.

SETORES

Na indústria da construção está o cargo que mais empregou trabalhadores na capital no primeiro semestre deste ano. Para servente de pedreiro, foram somados quase 1.700 postos. Segundo o coordenador da área de Desenvolvimento Humano do Sindicato da Indústria da Construção de Goiás (Sinduscon-GO), Fabiano Santiago, a demanda parte tanto das obras de construção como de reforma e cresceu mesmo com dificuldade de contratações, devido à falta de mão de obra.

“Mesmo com salários não muito baixos para a função operacional e com a oferta de benefícios pelas empresas, os goianos têm menos disposição para esse cargo. Por isso, a mão de obra de servente em Goiás é muito composta por pessoas do Nordeste e do Tocantins”, afirma Santiago. Ele frisa ainda que, por ser um cargo inicial, as construtoras fazem menos exigências na seleção e, em contrapartida, investem em qualificação para aproveitar o empregado por mais tempo.

O segundo posto de trabalho com maior oferta de vagas na capital é de assistente administrativo (quase mil). A diretora-executiva da Agregar Gestão de Pessoas, Maria Célia Franklin Ferreira, explica que essa função está ligada a diversas atividades na retaguarda das empresas, em especial do setor de serviços, que têm crescido no mercado e ampliado equipes de trabalho. “Pode ser o empregado que emite nota ou qualquer outra função de escritório”, afirma.

Maria Célia ressalta que o crescimento desse tipo de assistente pode estar relacionado à falta de candidatos qualificados no mercado. “Como a empresa não encontra funcionário à altura do cargo tem de contratar dois para dividir o serviço.”

INTERIOR

Cristalina foi a 47ª cidade que mais gerou vagas de trabalho no primeiro semestre de 2014 em todo o País. Foram 2.378 novos postos de trabalho, dos quais 94,5% abertos pela agropecuária (2.248).

Goianésia aparece na sequência, com 2.363 novos empregos com carteira assinada (48º lugar nacional). O resultado foi influenciado principalmente pelas indústrias de alimentos (1.261 vagas).

Fonte: O Popular