O terceiro turno, que funciona da meia-noite às 6h, deixou de existir no início de 2009, quando eclodiu a crise econômica mundial. O número de contratações corresponde exatamente ao volume de oportunidades encerradas no período

 

A partir da primeira semana de junho, a General Motors vai retomar o terceiro turno de sua fábrica em São Caetano. Para compor o expediente, serão contratados 1.600 trabalhadores – até o momento, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, apenas cerca de 500 vagas foram preenchidas.

O terceiro turno, que funciona da meia-noite às 6h, deixou de existir no início de 2009, quando eclodiu a crise econômica mundial. “Estamos recuperando os postos perdidos por conta da crise, e essa é a nossa luta desde então”, comenta o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Francisco Nunes. O número de contratações corresponde exatamente ao volume de oportunidades encerradas no período.

Estão sendo admitidos profissionais que atuam na área de produção, o que inclui funilaria, pintura, mecânica e montagem. A remuneração, segundo Nunes, é de R$ 1.500 mais 30% de adicional noturno, o que soma R$ 1.950. Dependendo do desempenho do trabalhador, entretanto, o salário pode chegar até a R$ 2.800 exercendo as mesmas funções.

O contrato de trabalho possui tempo determinado de um ano. “Mas pode ser renovado por mais 12 meses. Vamos batalhar para que eles fiquem por tempo indeterminado.”

Nunes conta que os cerca de 500 que já foram contratados estão sendo integrados ao primeiro e ao segundo turno, como forma de adaptação.

Recentemente, o governo divulgou medidas para conter o consumo desenfreado e a consequente inflação – hoje em 6,3% – , como o aumento da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 12%, e a elevação da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incidente no financiamento para pessoas físicas com prazo igual ou superior a um ano, de 1,5% para 3%.

Questionado se isso poderia atravancar as negociações, Nunes foi categórico. “Isso não vai prejudicar em nada, pois a abertura das vagas já está definida. A única coisa que ainda atrapalha é o dólar baixo por diminuir as exportações. Mas estamos otimistas, já que o mercado interno segue aquecido e vai absorver essa produção.”

Dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) apontam que, no primeiro trimestre, foram comercializados 825,2 mil veículos – 4,72% a mais do que no mesmo período em 2010, quando o volume era de 788 mil.

Fonte: Diário do Grande ABC