Foto: retirada da internet

No momento em que se discute os benefícios da globalização, motivada pela defesa de medidas protecionistas pelo presidente eleito dos EUA, Donald Trump, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avaliou que a globalização é benéfica para todo mundo. Ele fez as declarações em Davos, na Suíça, onde participa do Fórum Econômico Mundial.

“A globalização é benéfica para todo mundo, inclusive para as economias desenvolvidas. Se você tomar os Estados Unidos, onde esse problema é mais claro, você tem importações que eliminam alguns empregos americanos, mas o crescimento gerado por mais tecnologia, por exemplo, cria mais empregos”, avaliou Meirelles, em entrevista transmitida pela internet.

Segundo o ministro, o processo de globalização também gera preços mais baixos nos Estados Unidos, resultando em uma maior eficiência naquela economia.

“Em dito isso, o grupo de pessoas que pensa em um país como aquele, ou na Europa, não estão recebendo os benefícios da globalização, contra outros segmentos, é um problema desses governos de como criar redes de proteção, ou treinar as pessoas para que elas cresçam no mercado de trabalho”, concluiu.

Protecionismo

Um dia antes, o presidente da China, Xi Jinping, já havia feito discurso no Fórum Econômico Mundial defendendo a globalização. Apesar de não citar Trump, muitas das mensagens pareciam direcionadas ao presidente eleito dos Estados Unidos, que fez campanha para a Casa Branca com promessas de proteger as indústrias norte-americanas da concorrência estrangeira e cobrar novas tarifas sobre mercadorias da China e do México.

No caso do Brasil, Meirelles afirmou que é preciso reformar a economia para ter mais vantagens na globalização.

“Até então, o Brasil tem se beneficiado mais do mercado interno (…) Não estamos aproveitando os efeitos de uma globalização totalmente integrada”, declarou ele.

Também presente na entrevista, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, avaliou que, para o Brasil ter mais vantagens no processo de globalização, é preciso antes fazer as reformas econômicas.

“Não só as [reformas] fiscais, o que estamos fazendo, mas há questões em trabalhar em infraestrutura e investimentos”, acrescentou.

Alta de juros nos EUA e dólar

Meirelles e Goldfajn não mostraram preocupação com o processo de alta dos juros no Estados Unidos, que teve início em meados de dezembro e que deve continuar neste ano. Teoricamente, essa medida pode gerar retirada de recursos do Brasil, pois investidores buscariam uma remuneração maior nos EUA, e resultar em alta do dólar.

“A normalização da política monetária nos Estados Unidos [alta dos juros] é normal no processo de recuperação global e dos EUA. Vemos esse processo como normal. E parece ser gradual, o que é um sinal bom. Gradual, sustentável, algo que o mundo pode esperar. Mais normal do que nos últimos anos. Não é uma má noticia, mas sim boa, para o mundo”, declarou Goldfajn.

Segundo ele, o regime de câmbio flutuante (teoricamente com menos intervenções) é um amortecedor para o Brasil.

“Vimos depreciação do real após a eleição de Trump, mas agora isso se reverteu. O dólar forte vem com uma percepção de que o crescimento vai ser mais alto no mundo, com uma possível expansão fiscal [de gastos], mas também significa que os preços das commodities [produtos com cotação internacional, como alimentos, petróleo e aço, que o Brasil exporta] sobem”, disse Goldfajn.

O presidente do BC lembrou que o Brasil atuou recentemente com os chamados “swaps cambiais”, contratos no mercado futuro usados para impedir uma alta maior do dólar no mercado à vista, indicando que pode voltar a usar esses instrumentos caso haja pressão maior sobre o dólar.

“Temos intervido com swaps, lastreados nas reservas. Usamos para prover liquidez em momentos de estresse, pois, como mencionamos, a primeira linha de defesa é o câmbio”, afirmou.

Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que não está preocupado com a possível alta do dólar.

“Se tomarmos o dólar sozinho, o que estamos vendo no Brasil são que os fatores domésticos estão prevalecendo sobre os fatores internacionais, por conta da força da economia brasileira, das reformas e porque o Brasil está saindo da recessão e tem uma previsão de crescimento sustentado nos próximos anos. Essa é a nossa visão sobre a taxa de câmbio”, declarou.

Fonte: G1