A lei da oferta e da demanda de frutas e verduras em Goiânia está desequilibrada. Esse seria um dos motivos para os altos preços de alguns produtos comercializados na capital. Ao mesmo tempo, o município se apresenta como um mercado de grande potencial para agricultores do entorno da cidade, que poderiam aproveitar para diversificar e produzir mais e atender a essa demanda.

De acordo com um levantamento realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), foi observada uma redução da oferta de alimentos produzidos em Goiânia, ao mesmo tempo em que a demanda vem aumentando. Segundo Leonnardo Cruvinel, engenheiro agrônomo e técnico adjunto da Faeg, é necessária a criação de um cinturão verde ao redor da capital.

Leonnardo detalha que o que falta para completar a oferta é comprado de outras regiões e até de outros Estados. “Dentre as microrregiões goianas, a capital oferta perto de 36,80% à Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa-GO) . O restante vem de Anápolis, com 31,90% de participação, do Entorno de Brasília, com 12,60%, de Ceres, com 5,21%”, e de outras microrregiões do Estado, com 13,5%”,  informa.

O técnico da Faeg afirma que, recentemente, foi divulgado um estudo de duas consultorias em que Goiânia apareceu entre as capitais do País com menor número de atividades no setor de agricultura urbana e periurbana, apresentando poucas ações de comercialização, transformação e serviços. No município não foram encontradas as categorias de produção animal, vegetal e de insumos.

Leonnardo aponta que a produção de frutas e verduras em Goiânia, por meio da agricultura urbana, é opção para o aproveitamento de lotes vagos, terrenos baldios, praças e parques, escolas, presídios e áreas inundáveis, que não têm atividade produtiva e econômica presente. “Assim seria possível produzir hortaliças e frutas que hoje são importadas de outros Estados e fortalecer a cadeia produtiva goiana, promovendo receita aos produtores rurais, qualidade de vida e sucessão familiar”, analisa.

 

Alimentos comercializados na Ceasa Goiás que vêm de outros Estados 

 

100% da maçã 

100% do melão 

100% da pera 

99,82% da uva 

86,72% do mamão 

74,50% da cebola 

74,20% da batatinha 

63,89% da manga 

60% da laranja e da melancia

 

Fonte: O Popular