Estudo da Febraban aponta ainda como ideal planejar os gastos para ajustar as receitas às despesas

Para driblar os gastos adicionais com as férias escolares dos filhos, Georgton Filho, de 7 anos, e Luiz Felipe Batista, de 3 anos, a empresária Andrea Roberta Batista emprega várias estratégias para não comprometer o orçamento estipulado para o período. Opta por frequentar o cinema às quartas-feiras ou em sessões iniciadas antes das 17 horas, o que pode resultar em mais de 50% de desconto. Antes de escolher o local de recreação, ela calcula qual oferece o melhor custo-benefício entre o preço e o tempo de permanência. No mais, diminuiu a visita a centros de compras em detrimento de parques ou restaurantes que ofereçam parquinho para as crianças.

Para a empresária, colocar tudo na ponta do lápis é uma forma de oferecer qualidade de vida às crianças e ainda tentar burlar os aumentos dos preços de produtos e serviços relacionados ao período de férias escolares. “Minha vida é para eles, mas mudei alguns hábitos. Não vou mais com tanta frequência a alguns lugares e, hoje, se vamos ao cinema, o lanche é feito em casa”, diz. Ela afirma que sente o peso da variação dos preços de forma generalizada no bolso.

INFLAÇÃO

Não é para menos. Do período das férias de inverno de 2013 para cá, o preço da entrada do Parque Mutirama subiu 60%, enquanto o preço médio do cinema na capital aumentou 39,61%, anos-luz da inflação apurada neste período pelo Instituto Mauro Borges da Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/Segplan), de 5,93%. “A demanda impulsiona a elevação dos preços, mas nada subiu assim. Salário de quem subiu deste tanto?”, questiona o economista Marcelo Eurico de Sousa.

Ele afirma que alguns aumentos são explicados pela alta do preço de matérias-primas. “E isso culminou exatamente em uma época em que a demanda sobe”, diz.

Marcelo deduz que um dos fatores que pode ter contribuído para o incremento de 40% do preço médio da entrada do cinema é a quantidade excessiva de pagamento de meia-entrada. Além de estudantes, alguns clientes de cartões de crédito, por exemplo, podem ser beneficiados com o desconto.

Neste cenário, mesmo com manobras econômicas, Andrea diz que é inevitável gastar 30% a mais do orçamento nas férias se comparado a outros meses convencionais. E de fato, de acordo com estudo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o aumento dos custos de uma família no período das férias escolares pode chegar a 30%. Por isso, o ideal é planejar os gastos para não causar desequilíbrio entre as receitas e despesas domésticas. “Economizo R$ 300 com combustível, já que não tenho que buscá-los na escola, e adiciono isso a outra quantia destinada para os gastos normais deles”, diz Andrea.

O almoxarife Roberto Novais também escolhe levar o filho, Félix Novais, de 14 anos, aos cinemas às quartas-feiras. Ontem pagou R$ 10 por bilhete (o filho esqueceu a carteira estudantil), mas gastou outros R$ 20 ao comprar dois combos de pipoca e refrigerante. “Está tudo mais caro, mas meu filho ajuda e criamos estratégias para não gastar tanto.”

Até no ano passado, diz, acumulava notas fiscais para trocar por ingressos de partidas do Campeonato Goiano. A promoção Nota Show de Bola garantia ingressos a cada R$ 200 em notas fiscais e mais um quilo de alimento. Como este ano a promoção não está em vigor, a dupla entrou no clima da Copa do Mundo. “Ele assiste aos jogos em casa e joga futebol nos campos perto de casa e isso não tem gasto”, diz.

Despesas domésticas aumentam

(KM)

03 de julho de 2014 (quinta-feira)

Para a professora Célia Alves Dias Lopes, o planejamento é mais simples. Ela separa o acréscimo orçamentário advindo do recebimento das férias para gastar com os filhos, Renato Ramiro Dias Lopes, de 4 anos, e a caçula, Aline, de 1,8 ano, que embora ainda não estude também é beneficiada com as férias do irmão. Célia calcula que gasta cerca de 30% a mais com as crianças durante as férias. “Hoje (ontem) gastei aqui no shopping nos brinquedos com as crianças, mas fazemos muitas coisas gratuitas”.

Ela conta que frequenta parques, e o quintal da avó é um prato cheio para as brincadeiras das crianças e dos primos. Ela brinca que só tem que reservar um pouco mais de dinheiro para o lanche. A sensação é de que os filhos têm mais fome de guloseimas neste período.

Célia não está errada. A pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta que os gastos domésticos também aumentam no período de férias. Os filhos ficam mais em casa, consomem mais energia assistindo televisão ou jogando video-game. “Por ficarem o dia todo em casa, consomem mais comida e guloseimas”, diz o diretor de educação financeira da Febraban, Fábio Moraes.

O empresário Gabriel Gonçalves afirma que não planejou os gastos para as férias do filho, Gabriel Filho, de 3 anos, mas não pretende poupar. Ele conta que já realizou um passeio para Ubatuba (SP), e ainda está orçando uma viagem para a Disney nestas férias. “Não economizo para meu filho, uma viagem dessa pode custar até R$ 20 mil”, diz.

 

Fonte: O Popular