Endividados em Goiânia caem de 62% para 50% em um ano. Consumidores também reduzem intenção de compras

As famílias goianienses ficaram menos endividadas e reduziram sua intenção de consumo este ano. O número de famílias endividadas na capital caiu de 244.938 (62%) em março de 2010 para 199.235 (50%) este mês, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada ontem pela Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio-GO). As medidas tomadas pelo governo federal para reduzir o crédito e conter a inflação, além das incertezas no mercado internacional, também fizeram o consumidor colocar o pé no freio do consumo.

O número de famílias com dívidas em atraso caiu de 101.598, ou 26% em março de 2010 para 61.778 este mês, o que corresponde a 16% do total. Entre aquelas com contas em atraso, apenas 4% admitiram não ter condições de pagar suas dívidas no próximo mês de abril, contra 9% das que foram entrevistadas no mesmo período do ano passado.

O cartão de crédito continua sendo o maior instrumento do endividamento, com 64% das dívidas, com crescimento em relação a fevereiro, quando o dinheiro de plástico respondia por 57%. Quase 39% das famílias estão endividadas por mais de um ano, o que significa o comprometimento com prestações de logo prazo, como financiamentos da casa própria e carro. “A pesquisa é importante para ajudar os analistas a definirem o volume de liberação de crédito”, explica o presidente da Fecomércio-GO, José Evaristo dos Santos.

Responsabilidade

Para José Evaristo, a redução no grau de endividamento das famílias indica um consumo mais consciente e responsável. Além disso, ele lembra que, este ano, não há incentivos como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que ainda existia no início de 2010. Para completar, o governo ainda promoveu um enxugamento do dinheiro no mercado, através da exigência do aumento do depósito compulsório, no final do ano passado, e de medidas recentes de restrição ao crédito, como o aumento dos juros.

“Tudo isso faz as famílias analisarem melhor sua capacidade de endividamento”, lembra o presidente da Fecomércio-GO. A pesquisa Intenção de Consumo das Famílias, também divulgada ontem pela Fecomércio, revelou que o consumidor hoje está considerando o acesso ao crédito mais restrito. O levantamento também mostrou uma grande queda no nível de consumo atual e na perspectiva de consumo das famílias.

Queda natural no período, diz Evaristo

O presidente da Fecomércio, José Evaristo dos Santos, lembra que sempre há uma queda natural do consumo nos meses de fevereiro e março. Porém, este ano a redução foi mais acentuada por conta de fatores como as restrições internas ao consumo, a questão cambial e até os problemas no Japão e na Líbia, que causam incertezas no mercado. Mesmo assim, Evaristo lembra que os números são mais favoráveis a Goiás que ao restante do País. Um bom exemplo é o número de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas no próximo mês: 8,4% no Brasil, contra 4% em Goiás. Além disso, a própria redução do endividamento faz com que as famílias recuperem sua capacidade de consumo. “Reduzindo o endividamento, as famílias passam a consumir com mais moderação e responsabilidade.”

A pesquisa também revelou que o goianiense ainda tem boas perspectivas profissionais e de manutenção do emprego. Em 2011, a perspectiva é de um crescimento de 6,8% das vendas no comércio. “Em 2010, tivemos um crescimento de 10,9% porque as condições eram muito favoráveis e a base de comparação, de 2009, era muito fraca”. Este ano, a economia ainda deve sentir os efeitos do excesso de chuvas nas lavouras.

Fonte: O Popular