Em dezembro, o consumidor brasileiro prevê para os próximos 12 meses que a inflação chegue a 7,4%, segundo o Indicador de Expectativa de Inflação dos Consumidores, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), após registrar 7,5% no mês anterior.

O resultado manteve o indicador no intervalo entre 7,2% e 7,5% observado durante todo o ano de 2014, o patamar anual mais elevado desde o início da pesquisa.

Segundo o economista Pedro Costa Ferreira, da FGV/IBRE, “o resultado da mediana em 7,4% no mês de dezembro interrompe uma sequência de quatro meses de alta (ou viés de alta) do Indicador de Expectativa de inflação dos Consumidores. É preciso lembrar, no entanto, que essa é a maior mediana para o mês de dezembro dos últimos 9 anos”.

De acordo com a FGV, o valor de 7% continua sendo o mais citado, mas a proporção de consumidores prevendo esse nível de inflação diminuiu de 26,2% para 22,7% entre novembro e dezembro. No mesmo período, houve diminuição da frequência relativa de valores superiores a 7%, de 48,7% para 47,2% do total, e aumento da frequência de valores inferiores, de 25,1% para 30%.

A Sondagem do Consumidor da FGV coleta mensalmente informações de mais de 2100 brasileiros em sete das principais capitais do país (Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Recife). Cerca de 3/4 dos entrevistados respondem aos quesitos relacionados às expectativas de inflação.  A pergunta quantitativa possui a seguinte formulação: Na sua opinião, de quanto será a inflação brasileira nos próximos 12 meses? A resposta é inteiramente livre e nenhum valor é sugerido ao entrevistado.

Expectativa do governo
A expectativa do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, é que a inflação deve fechar o ano acima de 6,4%, mas dentro do intervalor de tolerância do sistema de metas – cujo teto é de 6,5% para este ano. Em 2013, a inflação ficou em 5,91%.

Em novembro, segundo o IBGE, a inflação oficial do país ficou em 0,51%, acima da taxa de 0,42% do mês anterior. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 6,56%. Desde agosto, esse índice se mantém acima de 6,5%, o teto da meta de inflação estipulada pelo governo. Essa meta, no entanto, só vale para anos fechados – ou seja, o governo só terá descumprido a meta se a inflação em 12 meses seguir acima de 6,5% em dezembro.

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%, mas com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.

Fonte: G1