Verduras e legumes foram os que mais subiram. Carne e leite também já dão sinais de encarecimento

Além do forte calor atual, o consumidor também já começa a sentir no bolso os efeitos da falta de chuva. Os preços de alguns alimentos já estão bem mais altos no atacado e varejo, principalmente os legumes e verduras.

Outros produtos, como carnes e leite, começam a dar sinais de alta. A cadeia produtiva concorda que se a chuva não voltar logo, a situação pode piorar nas próximas semanas.

Na Centrais de Abastecimento (Ceasa), a caixa de chuchu custava até R$ 90 ontem, uma alta de mais de 300% sobre o valor cobrado no início de janeiro. “O excesso de calor queima os legumes e verduras”, justifica o gerente técnico da Ceasa, Josué Lopes Siqueira. Ele explica que, como esse período do ano é sempre chuvoso, os pequenos produtores confiaram na chegada da chuva e formaram hortas fora de áreas de irrigação, como represas e rios.

Essa confiança ficou ainda maior porque dezembro foi um mês chuvoso. “Agora, muita gente está perdendo as hortas”, afirma Josué. Os produtores também reduziram o plantio de tomate pensando que choveria muito, o que não aconteceu. Ontem, a reportagem do POPULAR encontrou o quilo do chuchu por até R$ 7 no varejo e o do tomate salada por até R$ 7,50.

Para reduzir o impacto dos aumentos, o consumidor está comprando menos. A aposentada Nilza Lúcio da Costa garante que não paga tão caro pelo chuchu e reduziu muito o consumo de tomate. “Agora, só estou comprando dois ou três tomates por vez, só o suficiente para o almoço do dia”, contou Nilza.

A secretária Marleni Aparecida também garante que não tem coragem de pagar tão caro pelo chuchu. Para não comprometer o orçamento, ela diz que deixa de comer o que está subindo mais. “Uma hora eles culpam a chuva pelos aumentos. Agora, dizem que culpa é da seca”.

PECUÁRIA

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, que faz o acompanhamento dos preços de vários produtos no mercado, já apontou uma alta de 8,7% dos ovos brancos. De acordo com a pesquisadora, isso ocorre porque as galinhas produzem menos no calor, e de qualidade inferior, já que a tendência é o animal comer menos ração e beber mais água. O presidente da Associação Goiana de Avicultura, Uacir Bernardes, diz que os preços podem subir em Goiás por causa das perdas nas lavouras de soja e milho, principais matérias-primas das rações.

A falta de chuvas também afeta a pecuária, pois a qualidade dos pastos piora. O presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Manuel Caixeta, explica que, com a falta de massa verde, o boi demora bem mais para ficar pronto para o abate e a oferta é reduzida.

O resultado é o preço da arroba mais caro: cerca de R$ 104 em Goiás. Ele alerta que se a chuva não chegar com força nos próximos dias, haverá outro problema: o descarte de matrizes (vacas) por causa da escassez de pastagens. “Na seca, a vaca é criada nas palhadas de milho e soja, que não estão disponíveis nessa época”.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Carne do Estado (Sindicarne), José Magno Pato, lembra que os pastos não se desenvolveram nas principais regiões produtoras, como Goiás, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o preço da arroba em São Paulo já subiu 7%, chegando a R$ 112, o que nunca acontecia nesse período do ano.

Já o varejo garante que, por enquanto, ainda está segurando os repasses para o preço da carne. “Nessa época, a expectativa era que, pelo menos, os preços se sustentassem. Porém, a pressão por aumentos tem sido grande nesse início de mês”, afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas no Estado (Sindiaçougue), Sílvio Carlos Yassunaga. Mas o consumidor acredita que já está pagando mais caro pela carne.

Fonte: O Popular