Seguindo a curva decrescente desde setembro do ano passado, a criação de empregos em Goiás começou mal 2014 e atingiu em janeiro o menor índice para o mês desde 2009 – ano em que a crise financeira internacional desacelerou a criação de vagas em todo País. Foram gerados no mês passado 4.096 postos de trabalho no Estado – queda de 32% em relação ao índice de 2013.

Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Embora o resultado de Goiás seja positivo (com mais admissões do que demissões), o saldo de postos de trabalho formais não evoluiu em todos os setores pesquisados em relação ao mesmo período de 2013 (veja quadro).

Analistas consultados pelo POPULAR apontam a seca no campo, sazonalidade da indústria e o desaquecimento do comércio em janeiro, após o recorde de contratações em dezembro, como responsáveis pela redução. Mas economistas alertam que essa curva decrescente do emprego pode representar um reflexo das mudanças da macroeconomia, com o fim do avanço do PIB pelo consumo.

“Estamos num momento de ajustes da atividade econômica em todo o País. O modelo econômico que o governo federal implantou há anos, baseado no consumo, está se esgotando. As empresas estão se ajustando a essa mudança, aproveitando a mão de obra já contratada e diminuindo novas contrações. Vamos ver isso com mais frequência neste ano”, afirma o economista Maurício Faganello.

O presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), José Evaristo, avalia que, de fato, as mudanças no rumo na economia estão interferindo no consumo e, por isso, também nas contratações do setor. O comércio registrou queda de 1.124 postos. No ano passado, esse indicador também tinha ficado negativo, mas em 857. “Há dois fatores: a redução típica do mês de janeiro e as mudanças na economia.”

NORMAL

Segundo ele, em janeiro a queda das contratações formais pelo comércio é normal. “Saímos de um dezembro onde ocorrem contratação para atender a melhor demanda do ano. A tendência é de que ocorra um ajuste. Os temporário não ficam. Só efetivamos, em média, 15% dos temporários contratados.”

Mas, por outro lado, o presidente da Fecomércio admite que a alta dos juros pelo governo federal no ano passado, para conter o avanço da inflação, está atingindo em cheio o consumo. “A política restritiva, com o surgimento da inflação, fez o governo também voltar a tributar o IPI. O consumo vem caindo. Isto tudo reflete na geração de emprego pelo comércio”, afirma.

Fonte: O Popular