O Comitê de Política Monetária (Copom) encerra hoje a segunda reunião do ano que vai determinar o índice da taxa de juros oficial, a Selic. Segundo os especialistas o índice deve aumentar, sim, neste final de fevereiro e passar de 10,5% para no mínimo 10,75%, com um acréscimo de 0,25 ponto percentual (p.p).

De acordo com o escritório de economia Rosenberg Associados, o mercado sinaliza um aumento na taxa básica de juros que deve fechar o ano em 11,25% e de 12% em 2015. Segundo o relatório do Rosenberg, a economia apresenta baixa expectativa de crescimento, e outros resultados apontam para esse caminho, um deles é a previsão do PIB  em 1,67% em 2014, vindo de 1,79% em 2013.

Espera-se ainda inflação maior neste ano, de 6%. Para o economista da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Claudio Henrique de Oliveira, deve ocorrer hoje um aumento de 0,25 p.p ou de 0,50 p.p como prevê o mercado.

De acordo com Oliveira, desde março do ano passado o governo federal tem aumentado a Selic como justificativa para conter a inflação. Mas desde então, o que se conseguiu foi frear o consumo e inibição dos investimentos. “Nada mudou de janeiro para cá, por isso, acredito na alta da Selic, além disso, a última Ata do Copom já sinalizava alta”, explica. O economista ressalta que, desde março do ano passado, o governo só elevou a Selic. De outubro de 2012 a março de 2013, a taxa foi mantida em 7,25%. Hoje está mais caro tomar dinheiro emprestado, a inflação não caiu e todo este cenário resulta em inadimplência e endividamento. “A alta da Selic é nociva a toda economia”, ressalta.

Comércio

O presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), José Evaristo dos Santos, diz que a pior parte da alta na Selic é o aumento da dívida interna. Evaristo diz que acredita no aumento de 0,25p.p. “O governo diz que este será o último reajuste na taxa para este ano. Tomara que seja assim”, espera ele.

Evaristo explica que os efeitos no comércio são terríveis com juros altos, redução do consumo e pouco crédito.

Indústria
Para o analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, a desaceleração da economia aponta para uma alta na taxa básica de juros de no mínimo 0,25p.p.
Sem apontar números, o  economista e professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, acredita no aumento da taxa de juros a ser anunciada hoje. Segundo ele, a inflação está alta e essa é a ação do Banco Central para conter esse avanço. “A ideia de incentivos pontuais, com redução de impostos em alguns setores, não aumentar o preço do combustível e da energia não surtiu o efeito esperado. Agora o governo deixou o BC livre para agir como for conveniente e não resta outro instrumento para conter a inflação a não ser a alta dos juros”, explica o especialista.

Manutenção

O professor de Economia e Finanças e membro do Conselho Regional de Economia de Goiás, José Luiz Miranda, tem opinião divergente da maioria e acredita na manutenção da taxa Selic em 10,5%. “Não houve uma alteração brusca na inflação desde a última reunião que dê margem para um aumento”, diz.

Miranda explica que desta vez é provável que o comitê defina o viés – que é a delegação de poderes para o presidente do Banco Central aumentar a taxa caso haja um fato relevante na economia que a justifique.

Fonte: O Hoje