Entrar no ano novo sem dívidas e com as contas no azul é o sonho de muitos brasileiros. Chegar ao fim do ano seguinte sem passar por apertos financeiros também. A grande questão é: há possibilidade de todas essas coisas acontecerem? Segundo pesquisa da Federação Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), o mês de dezembro encerrou-se com mais de 198 mil famílias endividadas apenas em Goiânia. Nestes casos, a ginástica para equilibrar as contas tende a ser um pouco maior. O educador e terapeuta financeiro Reinado Domingos orienta como conseguir alcançar as metas de sair do vermelho e entrar no novo ano no azul.

Somadas as dívidas já existentes, no final do ano normalmente é comum as pessoas extrapolarem nos gastos com presentes, festas e compras para as férias. Poucas se preocupam em poupar para os gastos extras que chegam com o ano novo, como impostos, material escolar – para quem estuda ou tem filhos na escola –, aumento de tarifas e outras despesas que “aparecem” na época em que se está mais apertado.

De acordo com Reginaldo Domingos é preciso muita conversa e diálogo familiar. Final e início de ano é propício para uma boa reunião a fim de colocar na mesa tudo que se quer realizar para os próximos anos. “Nada é impossível de ser realizado, o grande problema tem sido a ausência de conhecimento sobre o tema educação financeira”, ressalta. O especialista explica que, assim como final de ano traz gastos extras, é preciso ficar atentos todos os meses do ano, pegue uma agenda e registre nela mês a mês todos eventos que vão ocorrer.

A orientação do especialista é que tudo comece com uma faxina financeira no orçamento, com o objetivo de diagnosticar a atual situação das contas e decidir o que fazer com o 13º salário. Ele explica que a atitude requer metodologia, e recomenda quatro passos: diagnosticar, sonhar, orçar e poupar. No diagnóstico, o novo aluno de finanças pessoais deve começar registrando todas as despesas durante 30 dias e buscar a redução de cada uma delas.

No quesito sonho, é preciso reunir a família e definir três sonhos para cada um e guardar para realizar os realizar os três. E por fim fazer uma mudança de hábitos, priorizando no orçamento financeiro os sonhos, antes das despesas. Por último, poupar e guardar dinheiro para realizar sonhos. “Na maioria das vezes, as pessoas acabam utilizando o mesmo para outras finalidades e não atrelam as economias aos sonhos. Se conseguimos realizar esses quatro passos ao menos uma vez por ano, conscientizando a família, será possível uma vida mais saudável e sustentável financeiramente”.

Mesmo quem já está no azul deve definir o quanto pode gastar, se vai conseguir pagar as compras que vai fazer. Parece uma missão impossível, mas não é. Fazer as escolhas que estejam dentro do seu padrão de vida é um bom começo. Não adianta pensar em gastar mais do que possui, isso só resultará em dívidas, preocupação e mais comprometimento financeiro. Uma boa forma de iniciar o plano de gastos é com uma planilha, anotando todo tipo de despesa. Mas isso pode ser sufocante às vezes, é preciso ter disciplina e muita vontade de conseguir realizar o sonho. Questionado sobre o fato, Domingos disse que não se pode ficar escravo de anotação, aliás, diagnosticar é isso tirar uma fotografia do dinheiro que entra e o dinheiro que sai em um determinado período, como fazemos com nossa saúde clínica, vamos ao médico fazer um check-up uma vez ao ano e não todos os meses, assim temos que praticar e descobrir para onde está indo o dinheiro e totalizando cada tipo de despesas fazer as reduções necessárias.

Fonte: O Hoje