As entidades sindicais se manifestaram como esperado e criticaram a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar a Selic, a taxa básica de juros, que subiu 0,5 ponto percentual e ficou em 11,75% ao ano.

Para a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), o aumento da taxa básica de juros vai inibir a geração de empregos no país. Segundo o sindicato, que é filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), “não há embasamento técnico que justifique esse aumento”.

De acordo com a Contraf, o avanço da inflação verificado nos últimos meses está relacionado a “majorações de preços de algumas commodities agrícolas, não havendo nenhum indício de que tenham sido provocadas pelo aumento da demanda”.

O presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, afirmou que falta ousadia aos membros do Copom. Para ele, os integrantes do órgão ignoram que haja redução do consumo toda vez que os juros aumentam.

“Está na hora de os responsáveis pela política econômica apresentarem saídas mais criativas que aliem o controle da inflação e o desenvolvimento econômico”, afirmou. “Com os juros nas alturas, são os trabalhadores que saem prejudicados, enquanto ano após ano os bancos anunciam lucros recordes”.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, foi ainda mais enfático nas críticas ao governo. “Infelizmente, está prevalecendo uma nefasta simpatia da equipe econômica pelo mercado especulativo. Vale sublinhar que o governo que se inicia já subiu, em apenas 60 dias, duas vezes a taxa básica de juros, criando um cenário extremamente adverso à produção e à geração de emprego e renda”.

Para ele, a decisão foi “desastrosa”. “O governo continua frustrando os anseios dos trabalhadores por uma sociedade mais igualitária e socialmente mais justa”.

 

Fonte: eBAND