Itens ajudaram a elevar a taxa de agosto em Goiânia a 0,65% e devem pesar ainda mais este mês

O gás de cozinha e a energia elétrica devem pressionar fortemente a inflação de Goiânia este mês, quando passam a vigorar os reajustes sobre estes itens. Eles já pesaram mais no bolso do consumidor em agosto e contribuíram para que a inflação fechasse o mês passado em 0,65% na capital, depois de registrar um recuo de 0,21% em julho, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), divulgado pela Secretaria Estadual de Gestão e Planejamento (Segplan).

É que o preço da energia elétrica já subiu 3,03% em agosto por conta do aumento de impostos, como explica o gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais da Segplan, Marcelo Eurico de Sousa. A estimativa é que o tarifa do serviço suba em torno de 25% neste mês . “O governo alega um custo maior para compra de energia de termelétricas”, destaca.

Segundo Marcelo, o gás de cozinha também já ficou 0,8% mais caro, antes que o reajuste de 7% passasse a vigorar este mês. “Com o anúncio do aumento, muitos revendedores recuaram com suas promoções”, explica. A costureira Anita Severino Barboza não gostou nada do aumento do gás. “Vou ter de reduzir as compras de supermercado e usar bem menos o forno para compensar.”

Combustíveis

O maior peso sobre a inflação de agosto veio dos combustíveis, que ficaram 2,96% mais caros no fim de julho. Mas o gerente explica que, agora, a expectativa é que o recuo desses preços até ajude a equilibrar um pouco a inflação de setembro. Isso porque o etanol, por exemplo, é vendido por até R$ 1,69 nos postos de Goiânia.

Os produtos de limpeza também contribuíram para ao aumento da inflação este mês. Marcelo explica que esses preços foram pressionados por reajustes das embalagens plásticas fabricadas por indústrias químicas. Isso também contribuiu para elevação dos preços de produtos de higiene pessoal e beleza. Já os artigos residenciais ficaram 1,7% mais caros após a renovação de estoques nas lojas do ramo, que chegaram com preços mais altos.

Ele informa que 77% do índice de inflação de agosto vieram dos grupos de habitação, transportes, artigos residenciais e saúde e cuidados pessoais. Após dois meses de variação negativa, os alimentos subiram apenas 0,14% em agosto. Considerado o vilão da inflação por muito tempo, desta vez o tomate ficou 14,3% mais barato e contribuiu para que a inflação não subisse mais no mês passado, assim como o feijão, cujo preço caiu 4,5%, e o óleo de soja, que passou a custar 5,4% menos.

Quem come fora do domicílio sentiu mais a pressão, já que o almoço por quilo ficou 1,6% mais caro. Os preços das carnes, leite e derivados também subiram por causa dos reflexos da estiagem neste período de entressafra. O leite longa-vida subiu 4,3% e foi o segundo produto que mais contribuiu para o índice de inflação, por ser um produto muito consumido.

A inflação acumulada este ano em 4,74% de janeiro a agosto já preocupa. Marcelo lembra que o índice estava em 3,22% no mesmo período do ano passado. “O problema é que ainda teremos reajustes pesados este mês, como a energia elétrica, que devem impactar fortemente a inflação de setembro”, adverte o gerente. Por isso, tudo indica que a inflação deve fechar bem acima do ano passado e, talvez, até próxima de 2012, quando o índice ficou em 9,6%.

Cesta básica

Com o recuo nos preços de vários alimentos, o custo da cesta básica medida pelo IPC na capital recuou 0,84%, passando de R$ 250,34 para R$ 248,24. Quase todos os preços tiveram queda, com exceção da carne, leite e farinha/massa. “Tivemos uma maior oferta de hortaliças, legumes, arroz, feijão e frutas, o que ajudou a reduzir os preços”, destaca Marcelo.

Os legumes e tubérculos ficaram 6% mais baratos e o preço do óleo caiu 5,5% em agosto. “Com certeza, os alimentos não podem mais ser considerados os vilões da inflação.”

 

Fonte: O Popular