Brasília – Na esteira das medidas de estímulo aos financiamentos anunciadas pelo Banco Central (BC) há três meses, o mercado de crédito registrou, em setembro, a segunda queda consecutiva da taxa de juros, estabilidade nos níveis de inadimplência e aumento de 7,4% nos empréstimos bancários.

Esse cenário de início de retomada, entretanto, mudará com a decisão de elevar os juros básicos da economia (Selic), de 11% para 11,25% ao ano, tomada na quarta-feira pelo BC. No mercado financeiro já começaram a surgir projeções sobre a magnitude e a extensão desse ciclo de alta dos juros. “Claro, o efeito de uma elevação da Selic sobre as taxas ativas também é de elevação”, admite o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Em setembro, o juro médio cobrado no mercado chegou a 31,9% ao ano. Para pessoas físicas, 42,8%. Maciel avalia que essa taxa tem oscilado em torno de 43% nos últimos meses. “As taxas vêm crescendo desde o ano passado e chegaram a esse patamar depois da interrupção de alta da Selic.”

VEÍCULOS

As medidas adotadas pelo BC, segundo ele, não tinham objetivo de estimular o crédito. “Eram de caráter regulatório, portanto, não foi contraditório (com a elevação da Selic).” Mas Maciel admite que o aumento da concessão de financiamentos para automóveis, um dos principais focos das medidas do BC, era esperado e já seria reflexo “gradual e defasado” daquelas ações.

Apenas em setembro, o aumento das concessões de empréstimos para veículos foi de 11%, atingindo o maior valor do ano, de R$ 8,5 bilhões.

A inadimplência ficou estável em 5% em setembro na comparação com agosto, com o calote entre os endividados (6,6%) maior do que entre as companhias (3,6%).

 

Fonte: O Popular