O emprego na indústria teve comportamento negativo em março, ao cair 0,4% sobre o mês anterior

O emprego na indústria teve comportamento negativo em março, ao cair 0,4% sobre o mês anterior, na série livre de influências sazonais, após ter registrado -0,3% em janeiro e 0,1% em fevereiro.
 
Dessa forma, o índice de média móvel trimestral, ao assinalar -0,2% na passagem dos trimestres encerrados em fevereiro e março, permaneceu com o comportamento predominantemente negativo presente desde outubro do ano passado. Ainda na série com ajuste sazonal, na comparação trimestre contra trimestre imediatamente anterior, o emprego industrial recuou 0,3% nos três primeiros meses de 2012, segundo trimestre consecutivo de taxa negativa, acumulando nesse período perda de 0,9%. Na comparação com março de 2011, o emprego industrial apresentou queda de 1,2%, sexto resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e o mais intenso desde dezembro de 2009 (-2,4%). O índice acumulado nos três primeiros meses de 2012 recuou 0,8% frente a igual período do ano anterior. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos 12 meses, ao avançar 0,2% em março de 2012, prosseguiu com a redução no ritmo de crescimento iniciada em fevereiro de 2011 (3,9%).
 
Em março de 2012, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, já descontadas as influências sazonais, recuou 1,2% frente ao mês imediatamente anterior, praticamente eliminando a expansão de 1,3% assinalada em fevereiro último. Com isso, o índice de média móvel trimestral repetiu, em março de 2012, o patamar registrado em fevereiro, após dois meses consecutivos de resultados positivos nesse tipo de indicador, período em que acumulou ganho de 0,7%. Ainda na série com ajuste sazonal, na comparação trimestre contra trimestre imediatamente anterior, o número de horas pagas cresceu 0,7% de janeiro a março deste ano, após mostrar taxas negativas por três trimestres consecutivos: -0,4% no segundo trimestre de 2011, -0,2% no trimestre seguinte e -1,4% no último trimestre do ano passado.
 
Na comparação com igual mês do ano anterior, o número de horas pagas mostrou, em março de 2012 (-1,5%), a sétima taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto e a mais intensa desde novembro último (-1,6%). O índice acumulado janeiro a março de 2012 também ficou negativo (-1,2%). A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao assinalar variação de -0,4% em março de 2012, apontou a queda mais intensa desde junho de 2010 (-0,9%) e permaneceu com a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2011 (4,5%).
 
Em março de 2012, o número de horas pagas recuou 1,5% em relação a março de 2011, com taxas negativas em dez dos 14 locais pesquisados. Em termos setoriais, as principais influências negativas vieram de vestuário (-7,6%), produtos de metal (-6,1%), calçados e couro (-7,0%), têxtil (-5,6%), borracha e plástico (-4,2%), madeira (-8,9%) e papel e gráfica (-3,5%). A contribuição positiva mais relevante sobre o total da indústria veio do setor de alimentos e bebidas (2,9%), seguido por máquinas e equipamentos (2,3%) e indústrias extrativas (4,5%).
 
Entre os locais, ainda no índice mensal, São Paulo (-3,6%) apontou a principal influência negativa sobre o total do país, pressionada em grande parte pela redução no número de horas pagas nos setores de produtos de metal (-12,2%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-11,5%), metalurgia básica (-21,6%), têxtil (-7,6%), vestuário (-6,4%), borracha e plástico (-4,0%) e papel e gráfica (-4,3%). Vale mencionar também os impactos negativos vindos de Santa Catarina (-2,8%), em função, principalmente, dos recuos registrados nos setores de vestuário (-6,8%), madeira (-17,6%), produtos de metal (-11,7%), têxtil (-5,3%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-5,3%); da região Nordeste (-1,4%), devido, sobretudo, à retração verificada em vestuário (-8,3%), têxtil (-9,6%), calçados e couro (-2,4%) e meios de transporte (-11,4%); e do Rio Grande do Sul (-1,7%), por conta, em grande parte, do menor número de horas pagas nos setores de calçados e couro (-14,4%), borracha e plástico (-9,3%) e fumo (-12,9%). Por outro lado, Minas Gerais (2,4%), Paraná (2,0%) e Pernambuco (2,0%) exerceram as principais contribuições positivas no total do número de horas pagas, impulsionados em grande parte pelas expansões vindas dos setores de alimentos e bebidas (6,0%), metalurgia básica (9,3%), produtos de metal (7,3%), minerais não metálicos (7,6%) e indústrias extrativas (6,6%), no primeiro local; de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (38,0%), alimentos e bebidas (7,2%) e meios de transporte (7,7%), no segundo; e de alimentos e bebidas (4,7%), produtos químicos (14,9%) e minerais não metálicos (6,8%) no último.
 
No índice acumulado do primeiro trimestre de 2012, houve recuo de 1,2% no número de horas pagas, com onze dos 18 setores pesquisados apontando taxas negativas. Os impactos negativos mais relevantes na média global da indústria foram verificados nos ramos de vestuário (-6,9%), calçados e couro (-6,9%), produtos de metal (-5,5%), têxtil (-5,2%), madeira (-10,0%), borracha e plástico (-3,9%) e papel e gráfica (-3,7%). Em sentido oposto, o setor de alimentos e bebidas (3,3%) exerceu a principal contribuição positiva, vindo a seguir as influências registradas por máquinas e equipamentos (3,0%) e indústrias extrativas (4,5%). Em nível regional, dez dos 14 locais apresentaram taxas negativas, com destaque para o recuo de 3,4% observado em São Paulo, seguido das perdas de Santa Catarina (-2,1%), Bahia (-2,4%) e região Nordeste (-0,5%). Em contrapartida, Minas Gerais (2,2%), Paraná (1,8%) e Pernambuco (3,0%) assinalaram os avanços mais expressivos no total nacional.[3]
 
Em síntese, o emprego industrial e o número de horas pagas, em março de 2012, voltaram a mostrar taxas negativas frente ao mês imediatamente anterior, com o primeiro apontando a taxa negativa mais intensa desde outubro do ano passado, e o segundo praticamente eliminando o avanço de 1,3% observado em fevereiro. Esse quadro de menor dinamismo no mercado de trabalho também fica marcado pelo comportamento predominantemente negativo do índice de média móvel trimestral desde outubro do ano passado, refletindo em grande parte a redução do ritmo da produção industrial a partir do segundo trimestre do ano passado. Nas comparações contra iguais períodos de 2011, os resultados do total do pessoal ocupado na indústria e do número de horas pagas permaneceram negativos tanto no índice mensal de março de 2012 como no acumulado do primeiro trimestre do ano e prosseguiram com o perfil disseminado de taxas negativas entre os locais e setores investigados.

Fonte: SEGS