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Os economistas do mercado financeiro intensificaram as apostas de que o Banco Central iniciará o ciclo de cortes da Selic (a taxa básica de juros), possivelmente já nesta semana. O Relatório de Mercado Focus trouxe nesta segunda-feira, 17, que a mediana das projeções para a Selic no fim de 2016 caiu de 13,75% ao ano para 13,50% ao ano. Na prática, se confirmado, isso significará corte de 0,75 ponto porcentual da taxa básica, atualmente em 14,25% ao ano. Há um mês, a perspectiva era que o juro fosse cortado para 13,75% ao ano.

Para o fim de 2017, a projeção permaneceu em 11,00% ao ano, mesmo nível de um mês atrás. Na próxima quarta-feira, o BC decide o novo nível da Selic e os ativos negociados no Brasil vêm precificando corte entre 0,25 e 0,50 ponto na taxa básica.

No início de outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou uma inflação de apenas 0,08% em setembro, abaixo do esperado pelo mercado financeiro (entre 0,10% e 0,23%) e da taxa de agosto (0,44%). Chamou atenção a deflação entre os alimentos, de 0,29%, algo que não ocorria desde agosto do ano passado. Na ocasião, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, avaliou que o IPCA de setembro “mostra que a inflação está na direção correta”.

Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica terminará 2016 em 13,50% ao ano, abaixo do patamar de 13,75% projetado uma semana e um mês antes. Para o ano que vem, as estimativas do Top 5 ficaram estáveis em 11,25% ao ano, mesmo patamar de um mês atrás.

O Relatório mostra que a mediana para o IPCA – o índice oficial de inflação – este ano passou de 7,04% para 7,01%. Há um mês, estava em 7,34%. Já o índice para o ano que vem foi de 5,06% para 5,04%. Há quatro semanas, apontava 5,12%.

No início deste mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma inflação de apenas 0,08% em setembro, abaixo do esperado pelo mercado financeiro (entre 0,10% e 0,23%) e da taxa de agosto (0,44%). Em especial, houve deflação dos alimentos, de 0,29%, algo que não ocorria desde agosto do ano passado.

No relatório Focus, a mediana das projeções para este ano permaneceu em 7,02%. Para 2017, seguiu em 5,13%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,50% e 5,50%.

PIB. Pelo documento, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano passaram de retração de 3,15% para queda de 3,19%. Há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,15%.

Para 2017, o cenário é mais favorável, com perspectiva de PIB positivo. O mercado continuou prevendo para o País, um crescimento de 1,30% no próximo ano, mesmo valor projetado há um mês.

As estimativas para a produção industrial ainda indicam um cenário difícil. A queda prevista para este ano passou de 5,96% para 6,00%. Para 2017, a projeção de alta da produção industrial seguiu em 1,11%.

Já as projeções para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para este ano passaram de 44,80% para 45,00% no Focus.

Câmbio. O documento divulgado indicou que a cotação da moeda estará em R$ 3,25 no encerramento de 2016, mesmo patamar de uma semana antes. Há um mês, estava em R$ 3,30. O câmbio médio de 2016 passou de R$ 3,44 para R$ 3,43, ante R$ 3,45 de um mês antes.

Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio seguiu em R$ 3,40 de uma divulgação para a outra, ante os R$ 3,45 de quatro semanas atrás. Já o câmbio médio de 2017 permaneceu em R$ 3,36 – estava em R$ 3,39 um mês atrás.