Na terça-feira, o advogado Daniel Carlos Rodrigues encheu o tanque de 45 litros do seu carro e pagou R$ 3,19 no litro da gasolina comum, totalizando R$ 143,55. Daniel pode se considerar um cara de sorte. Até o final da semana o combustível poderá ficar R$ 0,25 mais caro. Na teoria, a próxima abastecida do advogado ficará em R$ 154,80.

O aumento dessa vez se dá devido ao reajuste da Petrobras em 6% o preço da gasolina e em 4% o preço do diesel nas refinarias. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Goiás (Sindiposto), o repasse já foi verificado nas distribuidoras, que aumentou, em média, R$ 0,25 o preço do litro da gasolina, o que certamente resultará em aumento para o consumidor.

O valor chegará às bombas dos postos ainda essa semana, à medida que o combustível com o preço novo for introduzido. O estoque de gasolina em um posto de combustível dura entre dois e três dias, o que significa que alguns pontos de abastecimento já devem receber nova carga e repassar o preço.

Contudo, o presidente do Sindiposto, José Batista, afirma que, diante da lei da livre concorrência, o preço final será decidido por cada estabelecimento. Ele acredita que ainda é cedo para calcular os preços, pois é preciso analisar com cautela a carga tributária.

 

Aumento

Além dos 6% que deverão ser repassados, há incidência do PIS/Confins, ICMS e CIDE sobre uma base de compra maior. E isso pode resultar em um aumento maior. “Os 6% podem se tornar 9%, por exemplo. Por isso é necessária uma análise com mais cautela sobre o preço final do litro do combustível”, explica José Batista.

“Todos foram pegos de surpresa, distribuidoras, postos e consumidor. O anúncio da Petrobras se deu na calada da noite. Os donos de postos estão perdidos, mas quem tem estoque manterá os preços até receber novo produto”, afirma.

Quanto ao diesel, João Batista explica que, como os impostos do produto são baixos, os 4% devem chegar às distribuidoras sem impacto na carga tributária.

A decisão de aumentar o preço da gasolina e do diesel foi tomada pela Petrobras diante dos problemas de caixa da empresa após a forte alta do dólar nos últimos dias. O reajuste é uma sinalização ao mercado de que a empresa, hoje comandada por Aldemir Bendine, tem autonomia para definir sua política de preços dos combustíveis.

Nas refinarias o aumento dos preços já havia subido em novembro do ano passado com altas de 3% para a gasolina e 5% para o diesel. Em janeiro desse ano a tributação incidente sobre esses combustíveis também foi elevada.

 

Pesquisa

De acordo com o levantamento mensal do POPULAR, de agosto para setembro o litro da gasolina registrou uma queda de 4,69%, sendo encontrado por R$ 3,19 na maior parte dos postos pesquisados. A orientação do presidente do Sindiposto é de que o consumidor aproveite os preços para abastecer seus veículos antes que as bombas registrem o aumenta anunciado pela Petrobras.

Com o aumento do preço da gasolina, a procura por etanol tende a aumentar e, consequentemente, gerar uma elevação no preço do produto. Ontem alguns postos já haviam elevado os preços do biocombustível. Por isso, o gerente do Procon-Go, Gleidson Tomaz, orienta que o consumidor continue pesquisando preços.

“Cada posto estabelece seus preços de acordo com os custos operacionais, o que não pode acontecer é elevação sem justificativa e alinhamento de preços. Tem que ter a livre concorrência e o consumidor precisa ficar atento a essa variação”, afirma.

Fonte: O Popular