Foto: Reprodução Estadão (UN Photo/Jean-Marc Ferré)

O Brasil pediu nesta terça-feira, 1º, a realização “sem demora” do processo de coleta de assinaturas para que referendo revogatório do mandato do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, possa ser realizado. O Itamaraty também cobra a “liberação imediata” de políticos presos no país.

O alerta feito na ONU, um dos mais fortes já feitos publicamente pelo Brasil, ocorre um dia depois do início do processo de diálogo lançado por Maduro e por setores da oposição, com mediação do Vaticano e acompanhamento da União de Nações sul-americanas (Unasul).

“Pedimos às autoridades venezuelanas que assegurem o total exercício dos direitos constitucionais e tomem medidas necessárias para a realização de um referendo presidencial sem demora, de uma forma clara, transparente e imparcial”, declarou a embaixadora do Brasil na ONU, Regina Dunlop.

A cobrança brasileira em Genebra foi feita no momento em que a Venezuela é examinada pela ONU sobre sua política de direitos humanos. Durante a sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, países se alternaram em criticar a situação no país caribenho, com alertas sobre a repressão contra a oposição e a falta de liberdade de imprensa.

Em sua intervenção, o Brasil deixou claro que vai continuar a cobrar Caracas, apesar do diálogo lançado com a oposição. “O Brasil está seguindo com uma preocupação cada vez maior a evolução da situação de direitos humanos na Venezuela”, disse a embaixadora. “O Brasil expressa sua profunda preocupação sobre a decisão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de adiar o processo de coleta de assinaturas para ativar a convocação de um referendo”, afirmou.

Em meados de outubro, o CNE suspendeu a coleta de apoio depois de denúncias de fraudes na primeira fase do processo.

O Brasil decidiu também cobrar melhorias em diversas áreas no país vizinho. No campo social, o Itamaraty pede que o governo venezuelano “proteja os direitos à saúde e à alimentação” e “aceite doações internacionais por meio de canais humanitários apropriados”. O governo brasileiro também quer que Caracas publique o que de fato se produz em termos de alimentos no país, assim como os suprimentos em hospitais.

Fonte: Estadão