Durante evento ontem com representantes de diversos movimentos sociais do país, a presidente Dilma Rousseff ouviu críticas à política econômica de seu governo e gritos que emanavam da plateia pedindo a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O governo promoveu o ato dentro do Palácio do Planalto na tentativa de evitar constrangimentos e demonstrar força da presidente diante das pressões pelo impeachment e pela renúncia de seu mandato -mas, além do desagravo à petista, o ato virou também palco de cobranças. Principal liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos fez um discurso duro e disse que “a agenda do Brasil não é a agenda do Renan”, em referência ao pacote de reformas que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentou ao governo para retomar o crescimento econômico e superar a crise.

Na terça-feira (11), Dilma afirmou que as propostas eram “a agenda do Brasil” e que “coincidem” com medidas do governo.

Em meio a gritos de “fora já, fora daqui, Eduardo Cunha, junto com Levy”, que vinham da plateia de cerca de mil pessoas, Boulos continuou com críticas ao ajuste fiscal promovido sob tutela do ministro da Fazenda.

“Não aceitamos que o povo pague a conta da crise. Não aceitamos nem aceitaremos o ajuste fiscal que fia os direitos trabalhistas e que corta o investimento social”, disse o líder do MTST. “Se é para ajustar, que se ajuste então em cima de quem não foi ajustado no nosso país”, completou.

O ex-presidente Lula foi quem mais estimulou a petista a receber os movimentos sociais. Dilma não é muito afeita a esse tipo de agenda, mas aproveitou o evento para mandar recado a quem defende seu impeachment. Para ela, a briga é “até a hora do voto”. “Depois, eu respeito o resultado da eleição”, afirmou a presidente.

Às vésperas das manifestações contra seu governo, marcadas para depois de amanhã, Dilma disse que não vê “nenhum problema” nos protestos contra o Planalto, mas que espera “respeito e honra” dos adversários.

Em menos de uma semana, esse é o quinto evento em que a presidente endurece o discurso e diz que fica até 2018. “Eu não estou aqui para resolver todos os problemas este ano. Estou aqui para resolver todos esses problemas e entregar o país muito melhor no dia 31 de dezembro de 2018”, afirmou.

TSE

Em um julgamento tenso e com direito a troca de provocações, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu ontem a votação sobre a reabertura de uma ação que pede a cassação de Dilma e seu vice, Michel Temer. A interrupção ocorreu com um pedido de vista do ministro Luiz Fux, após os votos dos ministros Gilmar Mendes e João Otávio de Noronha defenderem a abertura da investigação por supostas irregularidades como abuso de poder econômico e político, além de suposto financiamento pelo esquema da Petrobras.

Fonte: O Popular