Apesar de defender seu lugar no mercado de trabalho e estar antenada com as coisas do mundo, a mulher goianiense tem um característica muito particular em relação às demais brasileiras: adora ficar em casa e cuidar da família. Elas são mais independentes financeiramente, cuidadosas com dinheiro e querem comprar automóveis, eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos novos. Um pouco do comportamento e do perfil de consumo da goianiense foram retratados na pesquisa Mulheres de Goiânia, um levantamento do Instituto Ipsos Marplan em 13 regiões do País em 2013.

Os dados foram apresentados ontem ao mercado publicitário da capital pela professora de Pós-graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Coordenadora do curso de Publicidade no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Roberta Cesarino Iahn, durante o evento O que as Mulheres Querem, na sede do Grupo Jaime Câmara (GJC). O vice-presidente de Tevisão do GJC, Ronaldo Borges Ferrante, disse que o objetivo é levar mais informações ao mercado publicitário e anunciantes para que eles possam alcançar melhores resultados junto a esse público.

MISTURA

Para Roberta Cesarino, apesar de moderna, a goianiense tem um lado conservador e familiar ainda muito fortes, uma mistura que a torna especial. Cerca de 47% das pesquisadas são casadas e dão muita importância aos relacionamentos, preservando algumas características em relação à casa e à família. “Mas não quer dizer que ela não esteja interessada na carreira, muito pelo contrário.”

Apesar de 50% trabalharem fora, 79,6% defendem que elas devem trabalhar fora. Roberta lembra que a proporção de goianienses que trabalham fora está entre as maiores dos 13 mercados pesquisados. Na média dos Estados, a goianiense também é uma das mais interessadas em carreira e economia doméstica: 65% têm interesse em profissões e mercado de trabalho e 70% se interessam por finanças pessoais e orçamento.

Elas planejam quantos filhos querem ter, estudam mais e quase 32% já declaram que o trabalho vem em primeiro lugar em suas vidas. Além disso, elas são mais empreendedoras: 43,6% se sentem capazes de abrir uma empresa. Porém, essa mulher ainda está em processo de entender seu papel dentro de casa, como se relacionar com as necessidades da família e administrar suas próprias vontades.

A goianiense já faz muitas compras pela internet, visando otimizar seu tempo. Ela aprendeu que pode pagar um pouco mais por uma entrega em casa, pois vê o benefício de ganhar tempo para fazer outras coisas mais importantes, como assistir uma apresentação de balé da filha ou fazer um projeto novo para o trabalho. “Ela está tentando trazer a tecnologia e as novas mídias para seu dia a dia para gerenciar melhor seu tempo”, afirma a professora.

Para ela, essa mulher é uma coreógrafa do lar e consegue pensar bem como irá gerenciar filhos, família e os relacionamentos sociais, buscando praticidade e o que pode resolver seus problemas. “Essa relação antenada e, ao mesmo tempo, focada no próprio contexto, é muito importante. A mulher está com os olhos pro mundo, mas o melhor lugar ainda é a casa dela”.

Roberta ressalta que a pesquisa é importante para o mercado anunciante, agências e meios de comunicação, porque fortalece um contexto regional. Para ela, é preciso investir mais no regional, entender quem é e como funciona essa mulher, que tem características locais e pontuais. “Isso é importante para um anunciante pensar um novo produto e se relacionar com essa consumidora”, explica.

Um dado interessante é que 37% das goianienses se interessam por automóveis, contra 34% da média brasileira. Aliás, 102 mil mulheres das classes A, B e C são proprietárias e 15% pretendem comprar um veículo. “Quem não entender as características dessa mulher, terá dificuldade para se comunicar com ela.”

Entre essas mulheres, estão as contemporâneas, ativas e ocupadas, que gostam de experimentar novos produtos e marcas. Entre as consumistas, quase 60% fazem compras para relaxar.

Fonte: O Popular