Governador de PE se reuniu com representantes da Força Sindical

 

A comitiva de dirigentes da Força Sindical ganhou o apoio do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na campanha contra a aprovação da Medida Provisória 595, mais conhecida como a MP dos Portos. Em reunião na tarde desta segunda-feira (4), na sede provisória do governo estadual, em Olinda, Campos e sindicalistas firmaram uma aliança para conquistar apoio à causa no Congresso Nacional. “Temos que evoluir [em relação à MP] em dois pontos: deixar que os estados possam fazer as contratações dos seus terminais, obedecendo às regras nacionais, e caminhar para um entendimento com os trabalhadores”, disse o governador.

A MP dos Portos foi publicada no último mês de dezembro para traçar um novo marco regulatório dos portos, no sentido de ampliar e modernizar o setor. É uma bandeira levantada pelo governo Dilma Rousseff, ao qual o PSB está na base de apoio. O governador, que também é presidente nacional do PSB, não quis entrar no debate político que a pressão contrária à medida suscita, como o estremecimento da relação com o PT. Especula-se que ele pode concorrer à disputa presidencialista em 2014 pela sua legenda. Campos ainda afirmou que não há reunião marcada com o ex-presidente Lula até agora. “Mas seria um prazer encontrar com ele”, falou.

De acordo com Campos, é preciso melhorar a MP dos Portos por meio de debates com o governo federal. Pernambuco tem um dos portos mais importantes do Brasil, o Complexo Portuário de Suape, no Litoral Sul, cuja gerência foi delegada ao estado pelo governo federal. Atualmente, duas licitações no valor de mais de R$ 1 bilhão estão paradas em Suape à espera da definição da MP. Uma delas, a do Terminal de Containers 2, já deveria estar em curso. “A nossa preocupação é que os estados que tenham portos, sejam delegado ou próprios, mantenham prerrogativas próprias dos estados. Nós já perdemos parcela delas [das prerrogativas] em 2001″, afirmou.

Para Campos, seria um erro ficar contra o planejamento de caráter geral para os portos. “A Antaq [Agência Nacional de Transportes Aquaviários] e a Secretaria Especial de Porto devem ter um olhar geral, mas sem subtrair dos estados a capacidade de fazer seus contratos, respeitando o planejamento logístico nacional. Uma coisa não exclui a outra. Por que não manter isso? Se temos portos estaduais, feitos com recursos dos estados, que vivem dos recursos desses portos. Por que retirar esse poder que a Constituição Federal já confere aos estados?”, questionou.

Eduardo Campos refutou a ideia que a reunião com a Força Sindical fosse uma manobra para aproximar o partido dos movimentos sindicais e ainda reforçou que a presidente Dilma Rousseff está disposta a dialogar com os portuários. A categoria está mobilizada contra a aprovação da MP, tendo dado, inclusive, prazo até o próximo dia 15 de março para o governo federal se posicionar sobre o assunto frente à possibilidade de uma greve geral nos portos.

“Dilma deixou claro que não tem nenhum interesse em tirar qualquer direito dos portuários. Nós queremos que haja concorrência entre os portos, baixar e reduzir o custo da logística no Brasil, porque tem interface direta na economia do País, mas para fazer isso não é preciso tirar nenhum direito dos trabalhadores ou criar desequilíbrio entre os portos [particulares e públicos]”, comentou.

Campos ainda criticou a morosidade na gerência de portos brasileiros. “Eles [Antaq e a Secretaria Especial de Porto] gerem há muitos anos dezenas e dezenas de portos e são infinitamente mais ineficientes que Suape. Como é que um porto mais eficiente público do país poderá tomar lição com quem há décadas gerem portos mais ineficientes que Suape?”. A comissão mista responsável pelo debate sobre a MP dos Portos deve apresentar o relatório final para votação no Congresso Federal na primeira semana de abril.

Em nota, a Secretaria dos Portos disse que “a MP trará a agilidade necessária à ampliação da nossa capacidade para que possamos atender ao forte crescimento da demanda, proporcionada pelo crescimento sustentado de nossa economia. A modernização e ampliação do sistema portuário são fundamentais para garantir a competitividade da economia brasileira no mercado global. O objetivo da MP é garantir mais competitividade ao setor, é fundamental que isso ocorra sem prejuizos ao trabalhadores portuários”.

A comitiva recebida por Campos foi comandada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), presidente da Força Sindical, que considerou a reunião muito positiva. “O governador foi muito sensível a essa questão dos trabalhadores e fizemos, na prática, uma aliança com o governador, uma aliança para defender a autonomia dos estados, pois a MP tira a autonomia dos estados, e, em troca disso, ele orientar a bancada dos deputados que têm influência para defender a isonomia de custos e, junto com isso, defender os trabalhadores. Não podemos ter dois sistemas, um público, que tem muito custo, e um privado, que quebra o público porque não tem custo nenhum. Do nosso ponto de vista, a MP vai quebrar todo o sistema público em favor do setor privado e os trabalhadores perderão direito”, falou Paulo Pereira da Silva.

A comitiva da Força Sindical já visitou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e deve encontrar, na próxima semana, os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do Paraná, Beto Richa. O deputado afirmou, ainda, que não articulou nenhum tipo de aliança política entre o PDT e o PSB de Eduardo Campos. “Não viemos fazer política. Quem está fazendo campanha até agora é a Dilma”, comentou.

 

Fonte: G1.com