Durante fórum promovido pela AMCHAM , economistas afirmaram que, apesar da catástrofe no Japão e dos conflitos no mundo Árabe, cenário econômico mundial é bom

Apesar da ameaça de catástrofe nuclear no Japão e da devastação do país por causa do terremoto e do tsunami, dos conflitos na Líbia, no Iêmem e em outros países árabes, o cenário macroeconômico do Brasil e do mundo ainda é animador. A opinião é do economista e consultor do Banco Mundial e do FMI Roberto Luís Troster e pelo diretor financeiro do Grupo Panpharma, Euclides Tavares dos Santos, durante palestras no Fórum CFO 2011, realizado ontem no salão de eventos da Lancaster Gril. O evento foi promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em parceira com a Organização Jaime Câmara e outros parceiros.

Os palestrantes do fórum lembraram que a Líbia participa com apenas 2% da produção mundial de petróleo, e ainda é um país de economia fechada. Já o Japão tem uma grande força econômica, é o 3º maior PIB mundial e em seis meses voltará a ser o que era antes. O Japão precisará de petróleo, minérios, alimentos e serviços, podendo favorecer a economia de países como o Brasil.

Este ano, segundo Roberto Troster, a economia mundial vai continuar crescendo em torno de 4%, embora essa taxa pudesse ser maior. “A grande ameaça do momento é a volta da inflação. Os preços das commodities, dos serviços e dos produtos em geral estão em alta. Tudo está mais caro”, lamenta o ex economista-chefe da Febraban.

Na sua opinião, o Brasil precisa olhar mais longe, projetar o seu crescimento para daqui a dez anos, investindo em infraestrutura básica, realizando as reformas tributária, previdenciária, política e empresarial. “Precisamos acabar com a burocracia, garantir mais competitividade e produtividade às empresas. A produtividade no Brasil não avança e estamos caminhando para trás”, afirma Roberto Troster.

“País ainda é a bola da vez”, diz executivo

O executivo da Panpharma, Euclides dos Santos, entende que o algoz do Brasil é ele próprio. “Nosso déficit fiscal é muito elevado. O governo não faz os cortes de gastos necessários e as reformas para garantirem competitividade às empresas”, lamenta .

Apesar desses problemas, Euclides Santos ainda vê o Brasil como a “bola da vez” na atração dos investimentos. Contudo, ele afirma que os empresários precisam se preparar para os novos rumos da economia, que passam pelas fusões e parcerias estratégicas das empresas.

Dúvidas
Rogério Vieira de Andrade, sócio da KPMG Auditores Independentes, lembra que as previsões econômicas para este ano eram muito positivas até a catátrofe do Japão, ocorrida na semana passada, e antes de estourarem os conflitos políticos no mundo árabe. “Agora ninguém sabe o que vai acontecer”, avalia.

Contudo, ele ainda vê boas perspectivas para o Brasil, um país onde há muito para ser feito. Ele lembra que, de acordo com as previsões dos analistas, o Brasil receberá investimentos da ordem de R$ 1,3 trilhão até 2013. “Isso vai dar uma acelerada na economia, embora a inflação seja um fator preocupante”, disse.

Em sua palestra no Fórum 2011 da Amcham, o diretor da KPMG aconselhou os empresários goianos a se prepararem para a adoção de políticas de governança corporativa, que invistam no aumento da produtividade, na qualificação de mão-de-obra e na estrutura de controles para terem espaço no mundo, cada vez, mais globalizado.

De acordo com Rogério Vieira, apesar dos acontecimentos no Japão e em alguns países árabes, ainda existem muitas alternativas de captação de recursos por parte das empresas. Entre as alternativas estão a Bolsa de Valores, os títulos de dívidas públicas e os investimentos estratégicos.

Fonte: O Popular