Baixo crescimento, de apenas 0,9%, do PIB brasileiro em 2012 se deve ao fraco desempenho da indústria e da agropecuária

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu apenas 0,9% em 2012, pior resultado desde a crise global em 2009. O mau desempenho no ano passado foi puxado para baixo pela indústria, que recuou 0,8%, e pela agropecuária, que caiu 2,3%.

Os investimentos levaram um grande tombo de 4%, com uma queda de 9,1% na absorção de máquinas e equipamentos pela economia nacional. A taxa de investimentos ficou em 18,1% do PIB, caindo pelo terceiro ano seguido, e muito distante da meta de 22,4% para 2014, do Plano Brasil Maior.

No biênio inicial do governo de Dilma Rousseff, a economia cresceu em média 1,8%, o pior resultado para a primeira metade de um mandato presidencial desde o governo de Fernando Collor de Melo, no início da década de 90. Em 2012, o Brasil teve o menor crescimento econômico entre os Brics (o grupo de emergentes que inclui ainda China, Índia, Rússia e África do Sul).

A renda per capita brasileira no ano passado foi de R$ 22.402, ficando praticamente estável em relação a 2011. No governo Dilma, o crescimento médio anual da renda per capital foi de 0,9%, muito abaixo da média de 2,5% dos últimos dez anos.

O governo, que já esperava o mau desempenho da economia em 2012, descarta novas medidas emergenciais e pacotes de estímulos para aquecer a demanda. A visão é de que o PIB está absorvendo aos poucos as novas condições de juros baixos e estímulos, como a desoneração da folha de pagamentos, e que o quarto trimestre de 2012 já apresentou sinais positivos.

E, de fato, há algumas boas notícias no quarto trimestre, mesmo que o crescimento de 0,6% (2,2% em termos anualizados) ante o trimestre anterior, na série livre de influências sazonais, tenha ficado abaixo da média das projeções, de 0,8%.

Os investimentos, comparados ao trimestre anterior na série dessazonalizada, cresceram 0,5% (1,9% anualizado) no quarto trimestre, depois de quatro quedas consecutivas no mesmo tipo de comparação. Já os serviços, que preocuparam no terceiro trimestre, com crescimento zero ante o segundo, reaceleraram no quarto para 1,1% ante o trimestre anterior (4,4% anualizados). Em relação ao mesmo período de 2011, o crescimento no quarto trimestre foi de 1,4%.

O resultado do quarto trimestre indica uma economia em recuperação em ritmo moderado, e a primeira impressão é de que não deve alterar significativamente o intervalo de projeções de crescimento em 2013, que hoje variam em sua maioria de pouco menos de 3% até 4%.

Mantega prevê alta de até 4% este ano

A expectativa do governo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 é de 3% a 4%, de acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, “são boas” as projeções de mercado para expansão dos investimentos (6% a 8%) e para o crescimento da indústria (3% a 4%).

“À medida que o ano vai correndo, podemos confirmar taxas melhores (de crescimento) ou não. Posso adiantar que o primeiro trimestre de 2013 está sendo bom. O crescimento do último trimestre de 2012 está continuando no começo deste ano”, afirmou Mantega em entrevista à imprensa nesta sexta-feira para comentar o PIB do ano passado, que cresceu 0,9% ante 2011.

Na visão dele, a política anticíclica do governo vai continuar enquanto houver necessidade de impulsionar a economia. “As medidas tomadas já são suficientes. Mas vamos continuar reduzindo tributos todos os anos, para reduzir carga tributária do País e tornar investimentos e consumo mais baratos.”

Apesar da meta do superávit primário para 2013 ser nominal – de R$ 155,9 bilhões, Mantega garantiu que a meta de 3,1% do PIB será perseguida. Para Mantega, é natural ocorrer, em momentos de crise, um desempenho mais fraco da atividade econômica. “O mais importante é que a crise foi externa, não interna. Desta vez, a crise foi produzida lá fora e tivemos resposta muito boa à crise, mas é inevitável que a economia desacelere”, comentou.

Transição

Segundo Mantega, 2003, por exemplo, foi um ano de transição e o crescimento também foi fraco. Por isso, de acordo com ele, é preciso contabilizar anos em que o País teve crescimento mais forte, como em 2007 e 2008. “O Brasil passou a experimentar taxas de crescimento que não tinha há muito tempo, taxas acima de 4%.” O ministro acredita que as condições agora “estão dadas” para um crescimento de 4%.

De acordo com ele, a confiança na indústria está aumentando no Brasil, depois de uma grande tensão em 2012. Mantega disse ainda que o Brasil foi afetado por mercados importadores que pararam de comprar do País, como os europeus. “O cenário agora é mais benigno para todo mundo e devemos ter aumento de investimento.”

Mantega ressaltou também que as concessões em infraestrutura são uma grande oportunidade para investidores estrangeiros melhorarem sua rentabilidade. Isso porque, enfatizou, os investimentos no exterior, com exceção da China, estão rendendo muito pouco.

Fonte: O Hoje (GO)