A economia brasileira pisou no freio no terceiro trimestre e o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,5% no período, na comparação com o segundo trimestre. Em valores, o PIB totalizou R$ 1,2 trilhão no terceiro trimestre. A retração é a mais relevante desde o primeiro trimestre de 2009, quando houve queda 1,6% como reflexo da crise global, e ocorre num contexto de juros mais altos, crédito restrito, confiança de empresários abalada e desaceleração do rendimento dos trabalhadores. Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE.

A queda no desempenho da atividade econômica pressionou os mercados, contribuindo para que a Bolsa fechasse ontem no vermelho pelo segundo dia, enquanto o dólar voltou a atingir seu maior valor em três meses.

O Ibovespa, principal índice brasileiro de ações, caiu 1,75%. O índice chegou a ter leve alta em torno de 0,1% no início da tarde, mas perdeu força e voltou a registrar perda. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em alta de 0,81% em relação ao real, cotado em R$ 2,376 na venda – maior valor desde 3 de setembro, quando ficou em R$ 2,383. Segundo analistas, a Bolsa brasileira foi pressionada também pelo mau humor dos mercados externos, agravado pelo recuo do PIB brasileiro no terceiro trimestre.

O resultado contrasta com a expansão no segundo trimestre, que surpreendeu economistas e agentes do mercado financeiro na ocasião. O dado do período foi revisado de 1,5% para 1,8%. O desempenho do PIB ficou próximo das previsões de analistas.

 

Nesse período, a indústria puxou o resultado para baixo com pequena alta de 0,1%, ao lado da agropecuária, cuja retração foi de 3,5%. Já os serviços, setor de maior peso na economia (superior a 60%), registraram também uma leve expansão de 0,1%.

 

Sob a ótica do destino dos bens e serviços que são produzidos – ou seja, as categorias de demanda –, os investimentos caíram 2,2%. O consumo das famílias avançou 2,2%. Já o consumo do governo, que tem ampliado suas despesas neste ano, teve alta de 1,2%. Na comparação com o terceiro trimestre de 2012, o PIB cresceu 2,2%. Nessa base, a indústria cresceu 1,9%. Já os serviços tiveram alta de 2,2% e a agropecuária registrou retração de 1%.

Com esse desempenho, o PIB acumulou alta de 2,3% nos três primeiros trimestres de 2013 na comparação os mesmos períodos de 2012. Já o índice acumulado nos quatro últimos trimestres mostra que, se o ano tivesse se encerrado no final de setembro, a economia do País teria avançado 2,4%. Sobre o terceiro trimestre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia previsto na segunda-feira uma expansão de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado. (Folhapress)

Crescimento previsto para o 4º tri

Superada a queda no terceiro trimestre, economistas projetam que a economia já vive uma fase de recuperação nestes três últimos meses do ano, capaz de levar o PIB a um crescimento em torno de 2,5% em 2013, confirmando previsão do Ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Segundo a Rosenberg & Associados, a expansão deve ficar em 0,8% no quarto trimestre em relação aos três meses anteriores. Se confirmada, diz, a previsão é compatível com um crescimento de 2,5% – melhor do que o 1% de 2012, mas ainda num ritmo tido como fraco por especialistas.

Para a instituição, há sinais “de aceleração” do consumo interno e perspectivas de que o investimento (que acumula alta neste ano apesar da queda no trimestre) continue em “terreno positivo”. Com esse cenário, a consultoria prevê um crescimento também de 2,5% em 2014. A Rosenberg esperava, porém, uma queda menos intensa no terceiro trimestre, de 0,2%.

A LCA projetava a mesma taxa. O resultado de 0,5%, que estava dentro da faixa das estimativas da maioria dos analistas, superou a média de 0,3% das previsões de mercado, apurada pela agência de notícias Bloomberg. A LCA ainda revê suas previsões, mas espera uma expansão de 2,1% a 2,5% neste ano.

A Gradual Investimentos diz que sua projeção de 2,6% de crescimento do PIB em 2013 não deve sofrer grandes alterações. Segundo André Perfeito, economista-chefe da Gradual, a “política monetária mais austera” está impondo à economia “uma parada brusca”.

Ao analisar a queda de 0,5% do segundo para o terceiro trimestre, Perfeito, vê uma mudança de cenário que afetou a economia. Ele cita a perspectiva de rebaixamento da classificação de risco da dívida brasileira, a inflação acima do teto da meta naquele período (o IPCA cedeu e voltou para próximo do topo da meta), juros mais elevados e “as maiores manifestações populares da história da República”. (FP)

Empresário menos confiante derruba investimento

Num cenário de menor confiança de empresários e dúvidas quanto a uma retomada da economia em 2014, os investimentos caíram 2,2% do segundo para o terceiro trimestre e foram os principais responsáveis pela retração de 0,5% do PIB. Trata-se do pior resultado para o grupo desde o primeiro trimestre de 2012.

Nem o câmbio mais favorável à importação de máquinas e equipamentos nem o crédito mais farto à compra de imóveis ajudaram a melhorar o desempenho. Formado especialmente pela fabricação e importação de máquinas e equipamentos destinados à produção de outros bens, ao transporte, à construção, à agropecuária e outros ramos, além do setor de construção civil, a categoria que mede os investimentos no PIB (a chamada Formação Bruta de Capital Fixo), porém, manteve a tendência de crescimento na comparação com 2012 -ano em que registrou queda.

A alta foi de 7,3% em relação ao terceiro trimestre de 2012. O resultado, porém, ficou abaixo do 9,1% do segundo trimestre. “Houve uma desaceleração, mas os investimentos ainda mostraram uma taxa expressiva de crescimento”, diz Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE.

Consumo

O mesmo, porém, não se pode dizer do consumo das famílias, que durante os últimos anos foi o motor da economia do País graças ao aumento da renda. O consumo cresceu 2,4% no acumulado de 2013, taxa semelhante do PIB. No terceiro trimestre, houve alta de 2,3% em relação ao mesmo período de 2012.

A perda de ritmo é reflexo da freada do rendimento, da inflação maior neste ano e do crédito mais restrito às famílias, que também estão muito endividadas. Já o setor externo contribuiu para reduzir o PIB diante do crescimento das exportações no acumulado do ano (1,4%). 

 

Fonte: O Hoje