O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (7), após recuar nas últimas quatro sessões, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior a pouco mais de uma semana da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, e pressionado pelo tombo dos preços do petróleo.

Até o início da tarde, a moeda dos Estados Unidos foi negociada praticamente estável diante da cautela dos investidores com a tramitação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional.

A moeda norte-americana subiu 0,53%, a R$ 3,7589. A moeda chegou a R$ 3,7290 na mínima desta sessão e a R$ 3,7794 na máxima, segundo a Reuters.”O dólar está em alta lá fora, é natural que o mercado faça algum ajuste”, disse à Reuters o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado. “Na semana passada (o dólar) tinha caído muito e temos Fed em poucos dias”.

Nos mercados externos, o dólar subia consistentemente contra as principais moedas emergentes, após a queda dos preços do petróleo às mínimas em quase sete anos. Além disso, investidores se preparavam para a reunião do Fed da semana que vem, que deve resultar no primeiro aumento de juros em quase uma década.A elevação dos juros norte-americanos pode atrair os Estados Unidos recursos aplicados no Brasil, motivando assim uma alta do dólar frente a moedas como o real. No entanto, alguns investidores já dão esse cenário como certeza e vêm se concentrando na perspectiva de que altas subsequentes sejam feitas de forma gradual pelo Fed.

Outro foco importante é o processo de impeachment contra Dilma. A comissão especial da Câmara dos Deputados encarregada de analisar o pedido de abertura de impeachment tinha previsão de ser formada nesta segunda-feira e ratificada em sessão do plenário. Após o fechamento dos mercados, a reunião foi adiada.

Alguns operadores apostavam que eventual mudança no governo poderia facilitar o reequilíbrio da economia brasileira no médio prazo. Muitos ressaltavam, porém, que a incerteza política pode paralisar o ajuste fiscal e até levar o país a perder o selo de bom pagador internacional por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor's.

O resultado é que o mercado fica mais sensível e volátil, com operadores evitando fazer grandes operações, limitando o volume de negócios, e operando com base em eventos de curto prazo.

“Tem muitas incógnitas no mercado que não devem ser resolvidas tão cedo. A volatilidade deve continuar bastante elevada”, disse à Reuters o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

 

Intervenção do BC

O Banco Central deu continuidade, pela manhã, ao seu programa diário de interferência no câmbio, seguindo a rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos, que equivalem a venda futura de dólares.

Entenda: swap cambial, leilão de linha e venda direta de dólares

Até agora, o BC já rolou o equivalente a US$ 2.736 bilhões, ou cerca de 25% do lote total, que corresponde a US$ 10.694 bilhões.

Fonte: G1