O total de dívidas atrasadas em Goiás cresceu 7,26% em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado. O dado ficou acima da média nacional, que foi de 6,13%. Com o número, Goiás passou a ocupar a 13ª colocação no ranking do aumento anual da quantidade de dívidas em atraso.

O número desse tipo de dívidas no Centro-Oeste também ficou abaixo dos indicadores goianos, com 7,16%. O levantamento foi divulgado ontem pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL), com base nos dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

A inadimplência também registrou alta em agosto no Estado. Em relação ao mesmo período de 2013, o número de consumidores que deixaram de pagar suas dívidas cresceu 7,18%. Neste quesito, Goiás também superou a média nacional e do Centro-Oeste: 5,09% o índice brasileiro e 6,35% a média regional.

“São dados preocupantes. Houve um crescimento acentuado em agosto, e também ao longo do ano porque estamos vivendo um período complicado e atípico”, comenta a coordenadora do conselho do SPC, Dina Marta Correia Batista.

Ela explica que a taxa de juros tem contribuído com o crescimento da inadimplência em Goiás. “Temos uma alta taxa de juros, com tendência que vai continuar por um bom tempo ainda. E isso tem influenciado bastante nesse crescimento de consumidores inadimplentes. Aliado aos juros, temos um momento pós-Copa e ainda as eleições.”

De acordo com ela, em agosto é habitual uma elevação no número de inadimplentes. “É resultado, principalmente, de compras realizadas por impulso durante o período de férias”, acrescenta.

Dívida

Há mais ou menos três anos, o vigilante e representante comercial Johnathan da Silva Seles pertencia ao índice de pessoas com contas em atraso. Mas, na contramão da alta da inadimplência em Goiás neste mês, ele conseguiu quitar suas dívidas.

“Peguei um empréstimo há algum tempo, estava pagando tudo certinho. Na verdade, eu já tinha quitado minhas contas, mas recentemente recebi uma carta dizendo que ainda estava devendo. Eles alegaram que eram juros atrasados”, conta.

Johnathan procurou o Procon Goiás para tentar renegociar seus débitos e conseguiu. “Procurei o departamento de cobrança, renegociei minha dívida e deu tudo certo. Estou com todos os comprovantes em mãos. Paguei tudo”, completa.

Próximos meses

Mesmo com a alta no número de pessoas inadimplentes, a coordenadora do conselho do SPC, Dina Marta Correia Batista, acredita que esse percentual irá cair nos próximos meses. “Em setembro, este número ainda deve ser um pouco elevado, mas a partir de outubro já deve estabilizar. Acredito que, com a restituição do Imposto de Renda e com o 13º salário, esse número deve apresentar queda”.

Em Goiânia, inadimplência também aumenta

A capital ainda concentra o maior número de inadimplentes, com mais de 70%. Em Goiânia, o total de famílias endividadas chegou a 37,6% em setembro e cresceu 8% na comparação com o mês imediatamente anterior. É o que consta no levantamento realizado pela Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio/GO).

“Tivemos um quadro um pouco mais acentuado em setembro, mas temos de lembrar que este foi o segundo melhor resultado do ano e também dos últimos 12 meses. Só que em agosto tínhamos 138 mil famílias inadimplentes e subiu para 148 mil este mês”, argumenta o presidente da Fecomércio, José Evaristo dos Santos. Para se ter uma ideia, o percentual apresentado em setembro do ano passado era de 41,3%.

Além disso, o número de famílias com conta em atraso também subiu. Este mês, 21,6% estão com algum tipo de conta atrasada, contra 16,7% no mês passado. “Este índice também é maior do que o apresentado no mesmo mês do ano passado, quando tínhamos 18,6% de atrasos”, lembra José Evaristo.

Por outro lado, mesmo com a queda da inadimplência nos últimos meses, a intenção de consumo caiu para 132,6, um dos menores do ano. “Esta também foi a segunda mais baixa na verdade. Isso mostra um sinal de desaceleração com consumidores mais inseguros, e até com uma certa cautela”, acrescenta.

Na análise do presidente da Fecomércio, não há um otimismo por parte dos comerciantes para os próximos meses. “Será difícil recuperar as vendas este ano, e talvez até no ano que vem. Estamos próximos do Dia da Criança e provavelmente teremos um resultado aquém dos últimos anos. Refazendo as contas, encerraremos o ano com um crescimento tímido na ordem 3,5 a 4%, em relação ao ano passado”, pontua. (PN)


Fonte: O Hoje