Recursos acabaram antes do início do plantio de verão. Para piorar, crédito oriundo da redistribuição dos outros Estados deve ser menor neste ano

Às vésperas do início do plantio da safra de verão, o crédito do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) Rural destinado ao setor produtivo agropecuário goiano para 2014 está esgotado. Ao contrário do ano passado, não há previsão de disponibilidade de outras fontes compensatórias e, de quebra, a oferta de recursos oriundos da redistribuição dos outros Estados deve ser menor neste ano.

Último relatório disponibilizado pela Secretaria de Indústria e Comércio (SIC) aponta que até julho foram realizadas 4.021 operações, somando R$ 475,8 milhões de recursos liberados. Esse montante corresponde a 66% do total de R$ 715 milhões previstos pelo orçamento anual.

Segundo o conselheiro do FCO e gerente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Edson Novaes, o restante desse volume somado aos recursos da redistribuição oriundos da sobra dos outros Estados, cujo valor será anunciado no próximo dia 30, devem contemplar as cédulas já registradas em cartório. “A demanda está muito maior que a oferta. O valor gerado pela redistribuição de recursos dos outros Estados que não gastaram todo o dinheiro pode dar uma refrescada.”

Outras opções

Edson Novaes acredita que a safra não será prejudicada em função do esgotamento dos recursos do FCO, já que produtores estão buscando linhas de créditos semelhantes como Finame e Agricultura de Baixo Carbono (ABC).

O consultor da Projetagro Projetos e Planejamento, Cleiton Maurício de Carvalho, afirma que a empresa possui até 20 projetos com análises técnicas e financeiras aprovadas aguardando recursos. Inclusive, em função da demora e falta de recursos parou de realizar operações pelo FCO desde junho.

“Além dos juros competitivos, o FCO possui uma dinâmica globalizada. As demais linhas de crédito tem finalidade específica”, explica. Por isso, acredita que o maior prejudicado será o pecuarista. “Ele precisa de recursos para diversas operações como reforma de instalações, cerca, recuperação de pasto e aquisição de animais”, conclui Cleiton.

Prejuízos

Em maio, o produtor de leite e frango de Itaberaí, Luiz Batista, teve aprovação de crédito para a aquisição de um vagão no valor de R$ 82 mil. O produto chegou a sua propriedade em junho. “Mas o dinheiro nunca foi liberado. Procurava o banco e sempre diziam que seria em breve”, diz. Ele calcula prejuízo de R$ 4,5 mil somente com os juros e a papelada burocrática.

Semana passada, o produtor resolveu cancelar as certidões do FCO e deu entrada em um pedido de financiamento pelo Finame. “O que chateia é que se tivessem falado antes que não tinha recursos, já teria buscado outras fontes”, diz.

Fonte: O Popular