A presidente Dilma Rousseff (PT) inaugurou nesta segunda-feira (9) o novo terminal do Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, que começa a operar, contudo, a partir do próximo dia 21.

Em pronunciamento durante o evento, Dilma afirmou que vai seguir lutando contra o impeachment. “Assim como eu lutei para fazer esse aeroporto, vou lutar com todos os instrumentos que tenho, democráticos e legais, para impedir a interrupção ilegal e usurpadora do meu mandato, por traidores, por pessoas que não têm condições de se apresentar ao Brasil e se eleger”, disse.

Dilma desembarcou na capital goiana às 18h24 junto com o ministro da Aviação Civil, Carlos Gabas, além de outros correligionários. Ela foi recebida pelo prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT).

 A presidente voltou a chamar o processo de impeachment de golpe e disse que “não sobraria ninguém” se todos os antigos gestores antes dela respondessem pelas mesmas acusações. Dilma citou assinaturas de decretos de crédito suplementar feitas por outros presidentes para embasar sua fala.

“Do que me acusam? Aí está a parte mais grave. […] Não tenho conta no exterior, não tem como me acusar de corrupção, não recebi propina, não desviei dinheiro público”, afirmou ela.

A presidente disse também que o impeachment é apenas uma forma de obter novas eleições de forma indireta. “O impeachment é um disfarce para eleição indireta no Brasil, porque não querem eleição direta. Ninguém aqui votaria para acabar com parte do Bolsa Família, para reduzir gastos em educação e saúde”, disse a presidente.

Protestos
Durante a inauguração, ocorreram protestos a favor e contra Dilma. Do lado de fora do aeroporto, um grupo que apoia o processo de impeachment fez um panelaço. Com camisetas amarelas e cartazes, eles gritavam: “A nossa bandeira jamais será vermelha” (veja vídeo acima).

Já no interior do aeroporto, pessoas que são contra a saída da presidenta do poder. Em coro, eles cantavam “Dilma guerreira da pátria brasileira” e “não vai ter golpe”.

Estrutura
Apesar da inauguração, as operações aéreas só começam no próximo dia 21, de acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). No total, o terminal tem dois andares, com 34,1 mil metros quadrados, quatro pontes de embarque, 23 balcões de check-in, 11 elevadores, quatro escadas rolantes, além de três esteiras de restituição de bagagem e sete canais de inspeção, com raio-x e detectores de metais.

 As instalações também contam com redes externas de pista de taxiamento e do pátio de aeronaves, vias de serviço internas, acesso viário, estacionamento de automóveis com 971 vagas.

A Infraero destacou que, com essa estrutura, o novo terminal tem capacidade para receber até 6,3 milhões de passageiros por ano, contra os 3,31 milhões de viajantes atendidos no Santa Genoveva, no ano passado.

Problemas
As obras, que tiveram início em 2005 e foram citadas na Operação Lava Jato por suspeita de recebimento de propina, custaram R$ 467,4 milhões, segundo a Infraero.

A licitação das obras foi vencida pela Odebrechet. O trabalho começou em 2005, mas foram paralisadas seis meses depois por falta de repasses dos recursos federais.

Em 2006, o TCU apontou superfaturamento nos preços praticados. Em 2007, as empreiteiras responsáveis pelo consórcio suspenderam as atividades de reforma do Aeroporto Santa Genoveva. No ano seguinte, a Infraero rescindiu o contrato.

Enquanto a obra do novo terminal não avançava, a Infraero entregou uma nova sala de embarque no Santa Genoveva, em outubro de 2011. Chamada oficialmente de Módulo Operacional Provisório (MOP), a ala ganhou o apelido de “puxadinho”.

Fonte: G1