Nos locais que cobram os menores preços, o pão e o leite ajudam a puxar as vendas de outros produtos

O preço do café da manhã para o goianiense, que não abre mão de um pãozinho com leite, está variando muito nas panificadoras e supermercados de Goiânia. Nas panificadoras, o quilo do pão francês pode custar R$ 4,95 em um estabelecimento e R$ 13,90 em outro, uma diferença de 180%, enquanto o preço do litro do leite longa vida integral varia até 50%. Muitas vezes, o comerciante reduz o preço do pãozinho para conquistar a atrair mais clientes para sua loja e impulsionar a venda de outros produtos.

Os dados são de uma pesquisa do Procon Goiás, que levantou os preços de 18 tipos de pães, biscoitos e leite em 20 estabelecimentos (10 panificadoras e 10 supermercados) entre os últimos dias 10 e 18 de abril. Em um ano, o preço médio do quilo do pão francês vendido nas panificadoras subiu apenas 0,46%, passando de R$ 8,11 em abril de 2011 para R$ 8,15 neste mês. Nos supermercados, o reajuste chegou a 9,23%: de R$ 5,55 para atuais R$ 6,06.

“O aumento não foi significativo nas panificadoras por causa da concorrência. Eles quiseram se aproximar mais do preço dos supermercados”, acredita o gerente de Pesquisa e Cálculo do Procon Goiás, Gleidson Tomaz. Mas ele adverte que, mesmo com o aumento mais significativo nos supermercados, eles ainda têm preços médios menores. “Esses estabelecimentos sempre cobram preços promocionais para esses produtos, uma prática que atrai consumidores que não levam apenas o pão e o leite, mas vários outros itens”, explica.

Giro maior

É baseado nesta mesma filosofia que o empresário Pedro César Braz, proprietário da panificadora Doce Maior, está vendendo o quilo do pãozinho francês por R$ 4,95. “Com uma margem menor de lucro, vendo mais e ganho no giro. Além disso, é um atrativo, porque o cliente conhece a loja e acaba levando outros produtos”, justifica. Ele conta que o volume de vendas subiu de 600 pães para 2 mil por dia, depois que o preço ficou mais atrativo.

Gleidson Tomaz lembra que a diferença de preços é grande até entre as mesmas marcas de leite, ou seja, produtos idênticos na qualidade. No caso do leite longa vida integral Compleite, o maior preço encontrado nos supermercados (R$ 1,99) ainda era mais baixo que o menor preço entre as panificadoras (R$ 2,15).

Principalmente no caso do pãozinho, o gerente do Procon alerta que é preciso aliar preço e qualidade do produto na hora de escolher, sem deixar de atentar para as promoções. Mas ele ressalta que as dez panificadoras pesquisadas pelo órgão têm qualidade parecida e estão localizadas em bairros nobres da capital. “Isso mostra a importância da pesquisa, pois é possível encontrar preços mais altos e mais baixos em estabelecimentos de padrão semelhante, em locais mais nobres ou na periferia”, destaca.

Além disso, ele alerta para a importância de verificar também a higiene do local da compra, como a forma como os funcionários manuseiam os produtos.

Orçamento

Aproveitar os preços mais baixos pode fazer uma grande diferença no orçamento. Numa família de três pessoas, o consumo diário de um pãozinho francês por pessoa, somado ao consumo mensal de leite (7,5 litros por adulto, segundo quantidade determinada pelo Dieese), resultará num gasto mensal de R$ 91,79, ou 14,75% do salário mínimo, com base no preço médio do pão nas panificadoras. Considerando o preço médio dos supermercados, a conta cai para R$ 67,57 ou 10,86% do salário mínimo (veja quadro).

A doméstica Maria José de Souza sempre compra o pãozinho na panificadora que cobra o menor preço de sua região: R$ 4,95. Segundo ela, que sempre leva entre cinco e oito pãezinhos por dia, além do preço mais baixo, o estabelecimento ainda tem um produto de boa qualidade. “Minha patroa é muito exigente em relação à qualidade”, afirma maria José.

Fonte: O Popular (GO)