O governo tenta fechar o ano com as contas no azul, mas passou a rever decisões para melhorar o resultado de 2015, sacrificando ainda mais a meta fiscal de 2014. O Tesouro Nacional informou ontem que as despesas superaram as receitas em R$ 6,7 bilhões no mês passado e em R$ 18,3 bilhões no ano, até novembro.

Para dezembro, o governo espera resultado positivo, de dois dígitos, o que pode evitar um déficit inédito nas estatísticas oficiais. A possibilidade de cumprir a meta de R$ 10,1 bilhões, fixada há pouco mais de um mês, no entanto, ficou mais distante.

O resultado negativo nas contas do governo em 2014 aumenta a dificuldade que a nova equipe econômica enfrentará para recompor a poupança do governo. O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, comprometeu-se com uma meta de economia de R$ 66 bilhões em 2015, ou cerca de 1,2% do PIB. Se as contas fecharem no vermelho, será maior a necessidade de aperto das despesas e aumento das receitas em 2015. O risco é que isso prejudique ainda mais o já anêmico crescimento econômico.

O governo decidiu que não irá mais sacar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano do Brasil, uma poupança feita em 2008 com a sobra de caixa daquele ano. O saque foi anunciado pela presidente Dilma em novembro, poucos dias antes do anúncio da nova equipe econômica.

Além disso, foi adiada a assinatura de um contrato com a Petrobras que vai injetar mais R$ 2 bilhões no caixa do governo. Esse adiamento, provocado por questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), ajudará a engordar o caixa em 2015, quando o Ministério da Fazenda já estará sob o comando de Joaquim Levy.

O resultado negativo de novembro também reflete a decisão do governo de começar a tirar do armário alguns “esqueletos”. Ou seja, antecipar pagamentos que afetariam as contas públicas em 2015. Em novembro, foram pagos R$ 6 bilhões em precatórios, principal fator destacado pelo secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Já o setor público como um todo, incluindo Estados, municípios e empresas estatais, registoru déficit primário de R$ 8 bilhões em novembro, maior resultado negativo para este mês do ano. No ano, o resultado está negativo em R$ 19,6 bilhões. Considerando os juros da dívida, o déficit das contas do setor público chegou a 5,8% do PIB em novembro.

Fonte: O Popular