Representantes do segmento de comércio e serviços afirmam que as vagas no setor deverão ser mantidas no ano, mas ainda é cedo para prever recorde em contratações

Vendedora da loja Harry’s Brinquedos, do Goiânia Shopping, Érica Teixeira não imaginava que seria efetivada na loja quando foi contratada apenas para o serviço temporário no final de 2013. Com o bom desempenho das vendas durante o Natal, ela entrou 2014 fazendo parte da equipe da loja e espera que, neste ano, as coisas melhorem em todos os aspectos. “Pretendo continuar na loja e trabalhar bastante”, diz a vendedora. Assim como ela, milhares de trabalhadores viraram o ano empregados.

Segundo o presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), José Evaristo dos Santos, as vendas no Natal passado ocorreram dentro do previsto, não foram espetaculares, e, sim, moderadas. “Os comerciantes vão iniciar o ano cautelosos, pois este será um ano de eleições e de Copa do Mundo, e não sabemos como se comportará a economia brasileira.” Os investimentos serão menores, com isso, haverá menos contratações. Acredito que, em 2014, haverá continuidade da geração de empregos, mas o que prevalecerá será a manutenção dos postos, pois no comércio não há muito rodízio de vagas”, diz. Comércio e serviços empregam cerca de 685 mil pessoas em Goiás.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas), José Carlos Palma, diz que a tendência para este ano é que os empresários mantenham em seus quadros os funcionários mais dedicados para que possam investir neles. “Se um colaborador é bom vale a pena investir nele, treinar e para que tenha condições de crescer na empresa. Não acredito em aumento do desemprego em 2014”, explica.

Indústria

Junto com o comércio e serviços, a indústria – principalmente, as de transformação, que foram campeãs na criação de novos postos. O presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Pedro Alves, explica que a legislação trabalhista é um fator negativo para se investir no Brasil, o custo do trabalhador é alto. A burocracia é outro fator nocivo ao processo produtivo, além da alta carga tributária, inclusive sobre os empresários. “Se não fosse por isso, a criação do emprego industrial seria muito maior”, destaca.

Qualificação

Ele diz que a Fieg está fazendo a parte dela qualificando os profissionais interessados em aprender um ofício ou se aperfeiçoar no que já possui. Entre o ano passado e 2014 serão investidos R$ 85 milhões da construção à manutenção. Segundo ele, um dos maiores problemas da mão de obra no País é que falta no governo federal a consciência da necessidade de se investir em educação. “Com profissionais mais qualificados, a indústria se desenvolve e todos os setores que dependem dela também”, diz.

2014

O superintendente regional do Trabalho e Emprego em Goiás, Arquivaldo Bites Leão Leite, diz que o ano de 2013 foi um período muito bom para Goiás, pois o número de vagas criadas foi um dos maiores do País. Até o mês de novembro, segundo os dados do Ministério do Trabalho, foram criados 83.161, a expectativa do superintendente era fechar o ano com mais de 90 mil vagas criadas. Ele diz que a perspectiva para 2014 são boas, principalmente porque será um ano de construções, não apenas para a Copa, mas porque grandes canteiros de obras devem ser abertos em todo País. “Por isso, o número de postos de trabalho abertos neste ano deve ser ainda maior”, completa.

Fonte: O Hoje