O uso de aparelhos de ar-condicionado pelas empresas e residências no mês passado fez Goiás registrar UM recorde de consumo de energia elétrica para um mês janeiro.

As 2,6 milhões de unidades consumidoras do Estado atendidas pela Celg usaram 1.008.747 MWh para acionar aparelhos eletroeletrônicos e máquinas – o equivalente a toda a potência de geração da Usina de São Simão.

CRESCIMENTO

Os dados, levantados pela Celg, a pedido do POPULAR, apontam um crescimento de 5% em relação aos 960.718 MWh consumidos em janeiro de 2013 (que até então detinha o recorde para o mês).

O avanço do consumo no mês passado, porém, não está relacionado com os casos de interrupções de energia elétrica registrados em Goiás no mês de janeiro, frisam os diretores da Celg.

SALTO

O assessor de Comercialização da empresa, Sérgio dos Santos Júnior, afirma que esse salto de consumo no Estado está dentro dos padrões do esperado para este ano e dentro da capacidade da empresa.

“O crescimento do consumo de cada mês deve ficar entre 5% e 7%. Esperamos que o consumo avance 6,5% em Goiás com a adesão de mais unidades consumidores e com o desempenho da economia”, diz o assessor comercial.

Ele ainda explica que o salto do consumo em Goiás, tradicionalmente, ocorre durante o período de estiagem, entre maio e novembro. O recorde histórico de consumo de energia elétrica no Estado foi registrado em agosto do ano passado, quando as residências, indústrias, pontos comerciais e lavouras usaram 1.083.356 MWh – 7,4% ou 78 MWh a mais do que o registrado em janeiro deste ano (diferença semelhante ao consumo de Itumbiara num mês).

CAUSAS

O consumo residencial e comercial foi responsável pelo recorde para o mês de janeiro de 2014. Dos 2,6 milhões de unidades consumidoras da Celg no Estado, 2,2 milhões são residencial, 11 mil industrial, 220 mil comercial, 173 mil rural e 17 mil poder público. As casas e empresas estão usando cada vez mais o aparelho de ar-condicionado, que demanda grande quantidade de energia.

“O ar-condicionado é o novo chuveiro elétrico”, alerta o especialista em geração de energia nos EUA e na Alemanha e diretor JMP Energia, Rodrigo Ferreira Fonseca Pedroso. Segundo ele, os aparelhos mais antigos são recordistas em consumo. “Com o forte calor, a tendência é ligar o aparelho por mais tempo, elevando o consumo.”

VILÃO

Rodrigo Ferreira lembra que até há pouco tempo o chuveiro era considerado o maior vilão do setor elétrico brasileiro, responsável pela alta demanda no horário de pico no consumo de energia no início da noite, quando as pessoas chegam em casa após o trabalho. Hoje, já existe outro horário de pico: “No forte calor das tardes, as empresas ligam o aparelho de ar-condicionada. Assim, por volta das 14 horas, já podemos falar em novo horário de pico”, diz.

O consumo de um ar-condicionado varia de aparelho para aparelho. Mas, um tipo comercial, com capacidade de consumir 123,9 KW/h por mês, ligado cinco dias por semana, oito horas por dia, conforme projeções feita do site webarcondicionado.com.br, pode custar para o consumidor até R$ 40,00 na conta de energia elétrica no fim do mês.

Mas o ar-condicionado não é o único vilão. As estimativas da Celg também aponta o crescimento do consumo de energia pelos pivôs instalados em lavouras de agricultura irrigada, principalmente nas regiões do Entorno do Distrito Federal e da Estrada de Ferro. Com o intenso calor e falta de chuvas, a maior parte dos produtores acionou as bombas que captam água para distribuí-la pelas plantações de leguminosas.

Goiás, conforme informações da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), tem 2,5 mil pivôs – a cidade de Cristalina, sozinha, tem 680.

PIVÔS

O analista de Mercado da entidade, Pedro Arantes, porém, não acredita que os pivôs tenham usado tanta energia assim em janeiro. “No período de estiagem (maio a outubro) ocorre o uso com maior frequência. Mas neste mês de janeiro que passou, as região de agricultura irrigada não sofreram tanto com a seca. Por isso não acredito que tenha ocorrido o uso dos pivôs desse tanto”, estima.

A indústria goiana teve um consumo moderado no último mês de janeiro. Segundo o economista da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Cláudio Henrique de Oliveira, a indústria vem expandindo sua produção (fato que demanda maior consumo de energia). Mas em janeiro, geralmente, o setor confere férias coletiva, o que reduz a produção. “A indústria goiana tem um característica de começar a tomar fôlego a partir de fevereiro.”

Fonte: O Popular