Os consumidores estão dispostos a pagar mais caro por imóveis que ofereçam inovações tecnológicas, principalmente nos itens que promovam economia para o seu bolso. Pesquisa realizada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) mostra que, dos entrevistados de 23 Estados e do Distrito Federal, 30,2% consideram a redução nos gastos do dia a dia como o mais relevante nas novidades apresentadas pelo mercado.

Os mecanismos que racionalizam o uso de energia nos empreendimentos foram os itens mais citados pelos consumidores (21,4%), assim como a economia nos gastos com água (12,1%) e utilização de tetos para geração de energia solar (8,5%).

O estudo também aponta que existe uma predisposição do consumidor de todas as classes sociais para desembolsar por inovações tecnológicas. A maior parte das famílias com rendimento de até cinco salários mínimos se mostra disposta a pagar até 1% do valor do imóvel a mais, na hora da compra. Acima desta renda familiar, esse porcentual cresce para 10% ou mais.

Esta é uma tendência que as construtoras já vinham percebendo ao longo dos últimos anos e, por isso, tem feito investimentos em inovação atrelada à sustentabilidade e, consequentemente, impactam na redução de custos, explica o diretor adjunto de Saúde e Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção de Goiás (Sinduscon-GO), Gustavo Veras.

A pesquisa A Inovação na Construção Civil no Brasil sob a Ótica do Consumidor, feita pelo Instituto Sensus a pedido da Cbic, é um dos temas de destaque no 86º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), principal evento do setor na América Latina, que será realizado em Goiânia a partir de amanhã até sexta-feira, dia 23, no Centro de Convenções.

MECANISMOS

O diretor do Sinduscon cita a presença cada vez maior de mecanismos para o reaproveitamento de água (tanto das chuvas como de banhos e lavatórios); instalação de medidores de gás de cozinha e de água individualizados; uso de energia solar para aquecimento de chuveiros e para iluminação de áreas comuns. Segundo Veras, um conjunto de tecnologias incorporadas ao empreendimento pode promover uma redução de até 30% nos gastos dos consumidores com água e energia.

“A gente já vem apostando nesse tipo de iniciativa há algum tempo, que promova não apenas modernidade ao empreendimento, mas também economia. Até porque a competição no mercado imobiliário em Goiânia é muito acirrada e precisamos de cada vez mais inovações para diversificar a oferta, aumentar a qualidade dos imóveis e atrair o consumidor”, ressalta.

O diretor do Sinduscon Goiás destaca que, embora as inovações tecnológicas que mais atraiam os consumidores estejam relacionadas ao fator econômico, essa é a porta de entrada para a mudança de comportamento na utilização de recursos hídricos e energéticos e, posteriormente, na visão sobre a sustentabilidade. “É um trabalho de formiguinha. Com o passar dos anos, essa consciência vai mudando e até o relacionamento entre os condôminos, despertado para o tema, pode ser impactado.”

Ligado de certa forma ao setor, o engenheiro civil e empresário Bernardo Brasil de Aquino Porto, 29 anos, tem total consciência do que essas tecnologias representam no impacto ambiental. Ele adquiriu recentemente um empreendimento com diversos equipamentos de inovação (reuso de água, utilização de energia solar e até previsão para automação). Pagou a mais pela variedade, mas acredita que, além da valorização no preço do imóvel, terá uma contribuição importante para o meio ambiente.

“Por todas as questões que o planeta tem passado, a gente tem que se preocupar com a responsabilidade ambiental. Se cada um fizer um pouco, o resultado no final é relevante”, opina.

A pesquisa da Cbic mostra que a segurança é o segundo item de maior importância na escolha dos itens de inovação – apontado por 16,3% dos consumidores.

Fonte: O Popular