O ano-novo que começou ontem chegou apertando o orçamento do brasileiro, que precisa preparar o bolso. Vários reajustes já foram anunciados e outros pegaram o consumidor de surpresa, como o aumento dos combustíveis na última semana. O salário mínimo mais alto também deve produzir um efeito em cascata, principalmente nos preços dos serviços, o que pode pressionar a inflação logo no início do ano.

Uma pesquisa feita pela Superintendência de Defesa do Consumidor de Goiás (Procon-GO) mostrou que o goianiense pagará, em média, 12% mais pelas mensalidades escolares em 2014. O órgão lembra que o valor da matrícula, paga em janeiro, é uma das parcelas da anuidade cobrada pela instituição e não é permitida a cobrança de valor extra.

Quem tem empregada mensalista doméstica também vai começar o ano pagando mais pelo serviço. Isso porque a presidente Dilma Rousseff assinou o decreto que reajusta o salário mínimo de R$ 678 para R$ 724. O aumento, quase sempre, leva as diaristas também a reajustarem o preço de seus serviços.

O economista Álen Rodrigues, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), lembra que esse novo valor do salário já compromete o orçamento de muitas famílias logo de cara. Além disso, também pressiona o custo dos serviços nos primeiros meses de 2014 e obriga as empresas a repassarem isso aos preços de seus produtos.

EFEITO

O goianiense também foi pego de surpresa com o reajuste da gasolina e do etanol às vésperas do ano-novo. Sem justificativa aparente, postos de combustível elevaram o preço da gasolina para R$ 3,19 e o do etanol para R$ 2,27. Para Álen Rodrigues, esse reajuste também deve gerar efeito em toda cadeia produtiva. “Esse efeito começa pelo frete, obrigando o empresário a repassar. Não tem como fugir dessa ciranda inflacionária”, destaca.

Até mesmo o IPTU e o ITU, que tiveram o reajuste de até 36% negado pela Câmara Municipal em dezembro, será reajustado pelo índice de inflação, de cerca de 6%.

Quem pretende viajar para o exterior nestas férias também deve preparar o bolso, pois o Ministério da Fazenda anunciou que o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente nos pagamentos em moeda estrangeira feitos com cartão de débito, saques em moeda estrangeira no exterior e compras de cheques de viagem (travelers cheques) e carregamento de cartões pré-pagos com moeda estrangeira. O imposto teve um aumento em progressão geométrica: de 0,38% para 6,38%.

Quem pretende trocar de carro este ano também vai pagar mais caro. A recomposição da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) deve deixar o preço final de carros até 3,6% mais altos para o consumidor essa semana. O reajuste médio deve ser de 2,2%, o que levou muitos consumidores a anteciparem a compra do carro no último mês de dezembro.

Em 2014, quem recebe mais de R$ 1.787,78 de salário terá de pagar Imposto de Renda (IR), por causa do reajuste de 4,5% nas faixas do imposto. Até o ano passado, quem ganhava mais de R$ 1.710,78 já era obrigado a acertar as contas com o Leão.

O trabalhador que ganhava esse salário mensal e terá o valor de seus rendimentos corrigidos pela inflação, no entanto, passará a ganhar R$ 1.809 este ano, ou seja, será obrigado a pagar. Segundo o Dieese, se as faixas do IR acompanhassem a inflação de perto, só pagaria o tributo o brasileiro que recebe a partir de R$ 2.758,00.

Fonte: O Popular