Embora seja difícil encontrar quem assuma descontrole com gastos nas ruas de Goiânia

O superendividamento das famílias brasileiras é resultado do desequilíbrio entre educação financeira e comportamento. O consumidor conhece suas finanças, mas gasta mais do que ganha, não guarda dinheiro e não planeja o futuro, agindo como um novato no crédito. Essa é a constatação do Indicador Serasa Experian de Educação Financeira do Consumidor, que apontou média 6,0 para o comportamento financeiro dos brasileiros.

O indicador trabalha em uma escala de 0 a 10 e verifica três dimensões da organização financeira: conhecimento, atitude e comportamento e diz que o brasileiro tem conhecimento sobre conceitos financeiros, mas não o aplica em seu dia a dia. No quesito conhecimento, o brasileiro ganhou nota 7,5, o que demonstra bom nível de educação financeira. Já no quesito atitude, a nota cai para 6,3. O maior problema é que, mesmo sabendo dos riscos do endividamento, o brasileiro se comporta mal. A nota em comportamento foi de 5,2 e este item tem o maior peso entre os três (50%), seguido por atitude (24%) e conhecimento (26%).

Controle

Nas ruas de Goiânia, não é fácil encontrar consumidores que assumam ter mau comportamento com relação aos gastos, embora, na prática, os números digam o contrário. A matemática Gabriela Camargo, de 21 anos, sabe mais do que ninguém os cuidados e prudência que precisa ter para não entrar no vermelho. Íntima dos números e cálculos, ela diz que só gasta o que pode, e embora ainda não tenha podido fazer uma poupança controla suas finanças, anotando todos os gastos e despesas. “Só compro se tiver dinheiro. Tudo à vista”, diz ela, com as mãos cheias de sacolas.

A psicóloga e funcionária pública Greiciane Borges Lei­te, 30, diz que, em casa, sempre foi a mais controlada entre os quatro irmãos. “Sempre fui referência em relação às compras e dinheiro”, conta ela, que sempre foi muito prudente e teve medo de fazer dívidas de grande montante.

Procon Goiás tenta orientar

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) aponta a que inadimplência subiu 20,5% em abril, sobre março e 188,3 mil goianienses se tornaram inadimplentes. No Procon Goiás, a tentativa é de instruir melhor o consumidor, com palestras e cursos, com finalidades como a de reduzir os números de recálculos solicitados no órgão que, em alguns meses do ano passado cresceram a níveis superiores aos 400%.

Para o economista Claudio França, o perfil goiano, no que diz respeito aos gastos, está um pouco acima da média nacional. “Temos um nível menor de endividamento em relação ao País, sinal de mais cuidados com relação aos gastos”, diz. Segundo ele, o consumismo, observado nos últimos anos, é reflexo do período de crise, onde há retração nos gastos. “Passada a tempestade, a reação de quem conteve os gastos é comprar, o que nem sempre é feito com cautela”. “A falta de informação dos concedentes de crédito, sobre o real nível de endividamento dos consumidores, contribuiu para levar milhões de famílias brasileiras a vivenciarem o superendividamento”. É o que diz o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro.

Fonte: O Hoje (GO)