A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (16), durante a Conferência Nacional de Juventude, que a Constituição brasileira prevê o processo de impeachment, mas não o “atentado” à democracia, os “atalhos” e “artifícios” para se chegar ao poder. Em um discurso que durou cerca de meia hora, ela acrescentou: “não conseguirão nada atacando minha biografia, sou uma mulher que lutou pelo meu país, amo meu país e sou honesta”.

Há duas semanas, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolheu pedido de impeachment da petista movido pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior. Cunha negou motivação política e, em reação ao discurso dele, a própria presidente convocou a imprensa para pronunciamento no Palácio do Planalto no qual disse que não cometeu “atos ilícitos” à frente da Presidência.”A Constituição prevê, sim, este processo [de impeachment], mas o que ela não prevê é a invenção de motivos. Isso não está previsto em nenhuma constituição. Por isso, aqueles que tentam chegar ao poder de forma a saltar a eleição direta oscilam, entre invenções e falácias, porque não há como justificar o atentado que querem cometer contra a democracia e é isso que nós chamamos de golpe”, disse a presidente.

Em outro trecho do discurso, Dilma afirmou que não será possível mudar o Brasil para melhor se a população permitir que a “jovem democracia” do país seja “golpeada, agredida e desrespeitada”. A petista disse que é preciso garantir o respeito ao voto popular e ao resultado das eleições. “Sabemos que defender a democracia é mudar o Brasil para melhor”.

A uma plateia formada majoritariamente por jovens, a presidente destacou que está em um curso “uma batalha que quer mudar os rumos do país por muito tempo”. Ela relembrou sua juventude, quando lutou contra o regime militar, e disse saber que os “pequenos passos” podem se transformar em “pesadelos” quanto a ditadura se instala no país.

“E, neste momento, usando todos os instrumentos que o estado democrático de direito me faculta, lutarei contra a interrupção ilegítima do meu mandato”, acrescentou.Dilma também atacou “aqueles que tentam interromper um mandato popular conquistado legitimamente nas urnas e não conseguem encontrar uma razão consistente para seus atos”. “É isso que nós chamamos de golpe”, acrescentou.

“Alegam que o meu governo deve ser trocado porque o país passa por uma crise política que se reflete na economia, como se nós vivêssemos em um regime parlamentarista. Uma cirse, diga-se, que vem sendo ampliada desde o início do ano pela estratégia do 'quanto pior, melhor'. Quanto pior para o povo e melhor para uma minoria. Isso é golpe”, enfatizou.

“Repito: os que buscam atalhos para o poder não querem derrubar apenas uma mulher, querem derrubar um projeto que, nos últimos 13 anos, incluiu o povo brasileiro nas rubricas orçamentárias. Foi isso que o nosso governo fez: incluiu a população brasileira”, completou.

 

O evento

Ao lado do ex-presidente uruguaio José Mujica e de ministros, como Miguel Rossetto (Trabalho e Previdência Social), Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário) e Edinho Silva (Comunicação Social), Dilma foi ovacionada pela plateia, que entoou diversas vezes o grito de “não vai ter golpe”, em referência ao proceso de impeachment, e “no meu país eu boto fé porque ele é governado por mulher”.

Diferente do que é usual nos eventos dos quais a petista participa, os presentes cantaram a segunda parte do Hino Nacional e deram ênfase ao trecho “verás que um filho teu não foge à luta”. A plateia também cantou parabéns para Dilma, que completou 68 anos na última segunda (14).

No evento, o presidente do Conselho Nacional de Juventude, Daniel Souza, disse que o objetivo da conferência nesta quarta é “defender a participação social e a democracia, porque não vai ter golpe”. Em seguida, ele e a plateia entoaram o grito “o Cunha vai cair, vai cair, vai cair!”.

Fonte: G1