Nem mesmo o Natal, principal época para o comércio, conseguiu salvar o mês de dezembro para o setor. O comércio goiano registrou o menor volume de vendas do País no período com um retrocesso de 5,6%. Com esse resultado, os varejistas fecharam 2014 com um avanço de apenas 1,4 em relação ao ano anterior, o pior dos últimos 11 anos. A última taxa negativa foi em 2003, quando houve variação de -1,43% em relação ao ano anterior. Desde então, houve altas consecutivas nos anos seguintes.

O Brasil, por sua vez, apresentou um crescimento superior ao goiano: 2,2%. No entanto, ainda com a variação positiva, as vendas também tiveram o pior desempenho dos últimos 11 anos. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação ao Natal, o presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), José Evaristo dos Santos, argumenta que o consumidor preferiu pagar as contas ao invés de consumir mais. “Ele buscou direcionar os recursos extras, como o décimo terceiro salário, para regularizar a situação financeira e quitar as dívidas, porque dezembro realmente não foi bom para o comércio”, salienta.

Já na análise para o ano, José Evaristo acredita que diversos fatores pesaram na carteira do consumidor. Ele lembra que a economia vinha de vários anos de medidas de desonerações de impostos para bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, que contribuíram para elevar o patamar das dívidas na renda das famílias. O endividamento elevado também reduziu a intenção de consumo.

Setores

Os segmentos do comércio que mais sofreram em 2014 foram os hipermercados e supermercados, com queda de 3,3% em relação ao ano anterior, seguido pelo de livros, jornais, revistas e papelaria (-3,4%) e móveis (-0.3%).

Por outro lado, aqueles que tiveram variação positiva no ano foram: artigos farmacêuticos, médicos, perfumaria e cosmético (17,1%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (18,2%); equipamentos para escritório (6,6%) e tecidos, vestuário e calçados (3,1%).

O índice do volume de vendas do comércio varejista ampliado em Goiás (que acrescenta as revendas de Veículos, motocicletas, partes e peças e de Materiais de construção) em dezembro apresentou uma queda de 6,2% na comparação ante igual mês do ano anterior.

As duas atividades que se acrescentam para compor o indicador registraram queda. No volume de vendas de Veículos, motocicletas, partes e peças, a queda foi de 7,6% e de Materiais de Construção foi 4,7%. O volume de vendas do Comércio Varejista Ampliado em Goiás no acumulado do ano apresentou uma redução de 2,3%, ante queda de (-1,7%) no País.

Previsão para 2015 é de crescimento moderado 

Para 2015 o presidente da Fecomércio, José Evaristo, acredita que o crescimento no volume de vendas deve ser um pouco mais elevado do que o apresentado no ano anterior.

“Fevereiro tem carnaval e menos dias úteis, então, não se espera vender muito. Além disso, teremos muitos feriados no ano. As liquidações de janeiro não convenceram e não foram satisfatórias. Muitas lojas já começam a repetir a mesma ação em fevereiro. Com tudo isso já podemos projetar um crescimento quase no mesmo patamar do ano passado, ou um pouco mais elevado”, afirma.

Fonte: O Hoje