Num cenário em que a inflação parece não dar trégua ao orçamento e o consumidor sente cada vez mais o seu poder de compra prejudicado, pairam sempre duas perguntas: de quem é a culpa e como parar esse ciclo de altas?

Os empresários do comércio reclamam que tem havido majoração de preços sucessiva de seus fornecedores (indústria e prestadores de serviços) e que, por isso, precisam repassar o aumento para os clientes. Por sua vez, os fornecedores apresentam justificativas semelhantes. “É a chamada inflação de custos”, afirmou ontem o presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Júnior, em Goiânia.

Numa cadeia em que, desde o setor produtivo até a ponta no varejo, todos enfrentam aumentos de preços sucessivos de insumos, serviços e material, parece impossível frear a cascata de reajustes que encarecem o produto que vai para dentro da casa das famílias. Em geral, todos pagam pelos custos com transporte, combustíveis, mão de obra e impostos.

Pellizzaro destaca ainda que quem trabalha com produtos importados ou com componentes que são comprados no mercado internacional estão prejudicados pela alta do dólar do ano passado para cá.

“Essa variação no câmbio afetou diretamente o desempenho do comércio no último Natal e muitos deixaram de comprar”, completou o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Goiás (Sindilojas), José Carlos Palma Ribeiro. Ele acrescenta que a própria incerteza sobre a política econômica pode provocar altas.

Alternativas

Para Roque Pellizzaro, duas ferramentas podem ser utilizadas para interromper esse ciclo inflacionário. Uma delas, já usada pelo governo, é a alta da taxa básica de juros (Selic), que foi elevada pela sétima vez consecutiva na última quarta-feira e chegou a 10,75%. Mas sozinha não tem conseguido conter a alta de preços e tem penalizado a atividade econômica.

Por isso, o presidente da CNDL defende um amplo corte de gastos na máquina pública, ajuste fiscal e desoneração dos setores produtivos. “Para impedir essa inflação de custos, o governo precisa reduzir suas despesas, mas não vemos um esforço nesse sentido.”

Fonte: O Popular