O consumo de energia no Brasil caiu 0,9% em 2016, informou nesta segunda-feira (30) a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia. O resultado é reflexo da crise econômica, que se manteve no ano passado.

A queda no consumo foi puxada principalmente pela indústria, que usou no ano passado 2,9% menos energia que no ano de 2015. Já o comércio consumiu em 2016 2,5% menos eletricidade. O único seguimento que registrou aumento no consumo foi o residencial: 1,4%.

De acordo com a EPE o setor de extração de minerais metálicos consumiu 16% menos energia que em 2015 e liderou a queda dentro do seguimento industrial. Também registraram queda os setores automotivo (-3,0%), têxtil (-3,8%), borracha e material plástico (-4,3%), produtos de metal, exceto maquinas e equipamentos (-6,4%), e produtos minerais não-metálicos (-9,6%).

Por outro lado, registraram aumento no consumo em 2016 os setores metalúrgico (3,1%), papel e celulose (2,4%), produtos alimentícios (0,9%) e químico (0,6%).

Alta em dezembro

De acordo com a EPE, porém, a indústria mostrou reação em dezembro de 2016, quando elevou o consumo de energia em 0,9%, na comparação com o mesmo mês de 2015. Foi a primeira alta mensal de consumo do seguimento industrial desde março de 2014.

“Apesar disso, os indicadores industriais do último mês do ano passado reforçaram a conjuntura econômica adversa do país, com reduzido nível de demanda interna, custos elevados (tributos, logística, matéria-prima, energia, etc) , dificuldades de acesso ao crédito e pela alta taxa de juros”, diz a nota da EPE.

“Neste quadro recessivo, muitas empresasse encontram endividadas ou inadimplentes, a intenção de investir permanece baixa e a ociosidade do parque produtivo continua muito elevada, em torno de 28%, máxima histórica em dezembro conforme a série iniciada em 2001 pela FGV/IBRE”, completa o documento.

A alta no consumo industrial de energia em dezebro de 2016 foi puxada pelo setor têxtil, que elevou o uso em 8,6% na comparação com o mesmo mês de 2015, seguindo pelo de papel e celulose (8,3%), automotivo (5,1%) e metalúrgico (3,8%).

Fonte: G1