A população de baixa renda em Goiás já é minoria, inferior até a da classe alta. A informação pode parecer estranha ao leitor, mas é uma consequência da expansão da chamada Nova Classe Média (NCM) brasileira, que continua absoluta em número e em poder de compra. No cenário goiano, seis em cada dez pessoas ocupam esse status social. São ao todo 3,8 milhões de pessoas – 61% da população.

Juntas, elas consumiram no ano passado 40% de tudo o que foi comercializado no varejo em Goiás, o equivalente R$ 39,7 bilhões – 5,6% a mais do que em 2012. Nessa nova concepção, que leva em conta a capacidade de consumo, a faixa economicamente intermediária da população engloba as classes C, D e E, cuja renda familiar varia de R$ 1,2 mil a R$ 4,5 mil.

Os dados da pesquisa Um país chamado classe média, levantados pelo Instituto Data Popular, foram apresentados ontem em Goiânia, durante palestra do estudioso e comunicólogo Renato Meirelles, que é presidente do instituto. Segundo Meirelles, os protagonistas da Nova Classe Média são as mulheres, jovens e negros – cerca de 50% dessa faixa de renda possuem estas características. A ida da mulher para o mercado de trabalho aumentou a renda dentro dos lares e impactou diretamente no consumo de produtos e serviços específicos que facilitam a administração do tempo e influenciam na aparência.

MULHER

“A mulher foi para o mercado, mas o marido não veio para dentro da cozinha. Por isso, aumentou a demanda por itens como microondas, máquinas de lavar, congelados e temperos prontos, por exemplo, que facilitam o dia a dia dessas mulheres que trabalham dentro e fora de casa.

Ao mesmo tempo, como grande parte trabalha com atendimento ao público, elas passaram a consumir mais roupas, cosméticos e salão de beleza. Cuidar da aparência deixou de ser supérfluo para ser investimento”, ilustra.

A alimentação, dentro e fora do domicílio, representa o maior gasto de todas as classes econômicas (em 2013, a NCM consumiu mais de R$ 2,7 bilhões em alimentos em Goiás).

Com roupas, o consumo no Estado foi de R$ 546,4 milhões e, com sapatos, R$ 242,5 milhões (veja outros setores no quadro). “Em média, uma mulher da NCM tem 16 pares de sapato”, cita o presidente do Data Popular.

COSMÉTICOS

A estudante e vendedora direta de cosméticas Fernanda Porto Margarida, 22 anos, que se considera de classe média, não passa um mês sem comprar ao menos uma peça de roupa e muitos cosméticos. Também não abre mão da qualidade e do melhor preço. “Eu pesquiso para poder comprar mais”, destaca.

CARRO

O automóvel continua sendo um produto de desejo da Nova Classe Média, mas agora ela busca investir num modelo mais potente.

“Ela já comprou um carro 1.0 e agora ela quer passar para um motor 1.6, mesmo que seja usado”, afirma Renato Meirelles. A casa também já é um sonho ao alcance das mãos e faz parte das metas concretas dessa população.

Fonte: O Popular