Nenhuma outra ocupação tem tamanha prioridade em nossa rotina quanto o trabalho. Na maioria das profissões passamos cerca de oito horas diárias, durante seis dias por semana, em ambientes corporativos, comerciais ou industriais. São locais que expõem as pessoas a inúmeras situações de riscos relacionados aos acidentes do trabalho.

De acordo com a última atualização do Anuário Estatístico da Previdência Social, cinco milhões de acidentes de trabalho foram registrados no Brasil entre 2007 e 2013. Neste período, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) gastou R$ 58 bilhões em indenização aos acidentados. Para prevenir tais acontecimentos, entender a segurança do trabalho, a ciência que atua na área, é fundamental.

Com mais de 18 anos de atuação na Grande Florianópolis e região Sul de Santa Catarina, o engenheiro de segurança Paulo Graffunder destaca a importância do esclarecimento das normas aos funcionários:

– O trabalhador de qualquer empresa, de qualquer ramo, quando é admitido, deve receber um treinamento de segurança do trabalho antes de iniciar sua função. Mas a maioria das empresas não implementa esta regra porque muitas não precisam ter técnico de segurança. Poderiam contratar um privado, mas elas não o fazem – alerta.

Na prática, ações informativas apontam aos colaboradores quais riscos ele está submetido. Além disso, também é instruído sobre as medidas de proteção que devem ser aplicadas, desde os exemplos mais banais, como o uso do computador. Muitas vezes, há vícios de postura provindos do uso incorreto do equipamento em casa. Mas profissionalmente é preciso saber sobre a mobília e os instrumentos necessários para a correção já que o tempo de permanência é maior.

– A vantagem do treinamento é que a empresa tem um ganho de produtividade. O trabalhador se sentirá mais seguro, saberá quando precisa utilizar um equipamento de proteção individual ou coletiva. Outra vantagem é que são minimizadas as ações trabalhistas, indenizações e adicional de insalubridade.

O treinamento das chefias, para que conheçam e exijam o cumprimento das normas, também faz parte do processo de disseminação entre todos os funcionários. Quando a segurança do trabalho faz parte do processo produtivo, a velocidade com que essa cultura se amplia é muito grande.

Afrânio aponta cinco medidas preventivas contra acidentes e doenças no ambiente de trabalho:

1. Capacitação e treinamento
A aplicação dos treinamentos é importante para o desenvolvimento das empresas e proporciona aos colaboradores o entendimento necessário para a execução correta e segura de sua atividade. É uma excelente oportunidade de instrução.

2. Proteções coletivas
As proteções coletivas têm muito mais valor do que as individuais. O engenheiro aponta a importância de sinalizações e instruções coletivas, como uma simples fita amarela nos degraus de uma escada, ou entre um piso e outro, faixa amarela nos vidros, placas ou até mesmo o álcool gel para assepsia.

3. Equipamento de Proteção Individual (EPI)
De acordo com a NR nº 06, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), é todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.

4. Medidas administrativas
Documentos de segurança do trabalho, análise ergonômica, suporte para o teclado e o mouse, e ordem de serviço são algumas das medidas administrativas a serem tomadas. Instruções importantes para que o trabalhador entenda o que deve ou não deve ou como agir num acidente.

5. Medidas preventivas de medicina do trabalho
São os exames obrigatórios, a aplicação de vacinas e ginástica laboral, entre outras providências importantes para evitar doenças no ambiente de trabalho.

Fonte: DC