Gastos com alimentos para uma pessoa se manter em um mês já estão R$ 26 mais caros desde janeiro

O preço pago pelo consumidor goianiense pela cesta básica, composta por 13 itens essenciais, subiu 10,31% desde o início do ano, segundo levantamento do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos da Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/Segplan). A alta supera em quase quatro vezes o avanço da inflação para famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que soma 2,76% desde o mês de janeiro.

O valor da cesta já subiu R$ 26,35 desde janeiro e saltou de R$ 251,24, em março, para R$ 255,55 em abril. Esse gasto já consome quase 40% do salário mínimo. As maiores pressões vieram de reajustes nos preços do feijão (6,22), pão francês (5,32) e leite (4,52%).

Nos supermercados, o consumidor não consegue compreender as altas nos preços de produtos que tiveram a desoneração de impostos federais no mês de março. O gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais do instituto, Marcelo Eurico de Sousa, observa que a medida não impactou como o governo queria. “Falava-se em redução de 10% nos preços desses produtos, mas não houve. Falta mais regulamentação e fiscalização para que, de fato, o consumidor possa perceber isso”, pontua.

A dona de casa Marcelina Almeida Santos, de 29 anos, fez compras ontem e se assustou com os preços de vários produtos, como o feijão. Ela encontrou o alimento por R$ 6,80 o quilo, preço menor que o de outros supermercados consultados por ela. “Comprei quatro pacotes, mas está muito caro”, diz.

Com os gastos com os alimentos para a família de cinco pessoas aumentando, a dona de casa incrementa as refeições com mais saladas e até mesmo aumentando a quantidade de carne nos pratos. Ela está certa, pois os preços das carnes ficaram 1,25% menores no mês passado. Também tiveram queda e contribuíram com um reajuste menor no valor da cesta, no mês passado, quedas de 9,2% no preço do óleo de soja , de 6,33% no preço do açúcar e de 2,91 no do arroz, que compõe a cesta básica.

Goiânia registra inflação de 0,69% em abril

A inflação de Goiânia em abril avançou 0,69%, superando a taxa de 0,4% de março, segundo pesquisa do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos da Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/ Segplan). A variação positiva foi influenciada por três grupos: alimentos, saúde e cuidados pessoais e vestuário.

No grupo de alimentos, as maiores pressões vieram de altas no preço do feijão, que ficou 9,47% mais caro, no mês passado, com preço impactado pelo cenário de oferta ainda em queda, em função de pouca chuva no final do ano e excesso no período de colheita. Os preços do grão tendem a cair com o início da entrada da segunda safra, de acordo com o gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais do IMB/Segplan, Marcelo Eurico de Sousa.

No caso do pão francês, a escassez do trigo, provocada pela antecipação de compras do insumo pela indústria, prejudicou os preços no mês passado. A alta no preço do pão francês só deveria acontecer em maio e junho. O preço do leite subiu em função da queda na captação com o início do período de seca, a entressafra, que provocou reajuste em todos os derivados do lácteo.

A carne bovina caiu 1,03% e a suína registrou queda de 3,02%. Outros produtos também ajudaram a segurar parte da inflação dos alimentos. Puxando a taxa para baixo ficaram o açúcar (-3,07%), o óleo de soja (-7,35%) e grande parte das hortaliças e legumes também teve redução de preços. Vilão do IPC, o preço do tomate caiu 10,53%. No grupo saúde e cuidados pessoais, a alta (1,67%) foi provocada pelo reajuste de 6,31% dos medicamentos.

Para maio, o goianiense pode esperar altas nos preços, a exemplo das tarifas de água e esgoto (6,02% mais caras, já neste mês).

Fonte: O Hoje (GO)