A variação no preço da cesta básica em Goiânia no mês de fevereiro é um bom indício de que o valor dos alimentos pode começar a se estabilizar. No mês passado, o conjunto de 13 produtos alimentícios custou R$ 241,53. A redução foi de apenas R$ 0,06 em relação a janeiro e é irrisória na prática (-0,02%).

Mesmo assim, o quadro não impediu que a cesta goiana continuasse a registrar a maior alta do último ano entre as 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

No ano, a cesta básica de Goiânia subiu 2,95% e nos últimos 12 meses, 26,7%. Mas entre os grandes vilões, o feijão e a carne, que acumulam alta em 12 meses de 45,28% e 33,93%, respectivamente, tiveram queda de preço em fevereiro de -6,67% e -3,53%.

No caso do feijão, segundo explica o Dieese, após problemas com a seca no plantio e com chuvas durante a colheita, que prejudicaram a safra, a produção vem se restabelecendo. Isso influencia a redução de valores do produto, que deve continuar caindo nos próximos meses, se o clima se mantiver favorável.

Já a produção de carne está favorecida pelo tempo, uma vez que, com as chuvas, há abundância de pastagem e mais gados em condição de abate. Também nesse caso o Dieese prevê a possibilidade de que a queda de preços continue nos próximos meses.

Enquanto isso, o valor do tomate continuou em alta este ano: ficou 20,08% mais caro em fevereiro e 96,77% na variação anual. O excesso de chuvas que foi positivo para a carne, nesse caso, foi o principal responsável pela redução da qualidade e da oferta do tomate no mercado.

“Temos grandes oscilações de preços, já que os produtos são passíveis de influência do clima”, ressalta a coordenadora-técnica do Dieese em Goiás, Leila Brito.

O gerente de estudos técnicos e econômicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Edson Alves Novaes, também prevê maior estabilidade de preços este ano. Em função do que ele chama de “ciclo das commodities”, cujos preços foram impactados por diversas situações ao longo de 2010  como secas e quebras de safras – e que atingiram o mundo todo, a oferta será mais ajustada este ano e não permitirá grades quedas de valores dos alimentos.

Por outro lado, ele aposta que também não haverá reajustes exorbitantes, em função do restabelecimento da oferta de vários produtos, como a carne, que teve recuperação de preços e recuperação de matrizes.

Expectativa
Mesmo depois de calejados pela acelerada inflação dos alimentos em 2010, o casal Divina Célia da Silva Alves, 59, e João Geraldo Alves, 65, também esperam uma melhora de preços este ano. “No que depender de chuva, como leite e carne, tudo indica que a situação já está favorável para a queda de preços”, afirma o aposentado. Mas independente da oscilação, a dona de casa diz que não abre mão de gastar mais para manter uma boa alimentação.

Já o pastor Dimas Faria, 65, diz que opta por algumas substituições para driblar os altos preços. No caso da carne, por exemplo, ele varia com peixe e frango. “Mas nada disso resolve muito. Para mim, está tudo na mão do governo.”

Os preços da cesta básica apresentaram queda em fevereiro em 9 das 17 capitais analisadas. As principais reduções ocorreram em Brasília (-2,02%) e Florianópolis (-2,07%). Mesmo com quase estabilidade (-0,03%), São Paulo continua a cidade mais cara (R$ 261,18). Porto Alegre aparece na segunda colocação (256,51), seguida de Manaus (R$ 252,75) e Brasília (R$ 250,48). ▩
 

Fonte: O Popular