Força Sindical e CUT destacaram que mudança não afeta poupanças atuais. Objetivo do governo é dar condições para BC continuar reduzindo juros

Após reunião com a presidente Dilma Rousseff, presidentes de centrais sindicais afirmaram nesta quinta-feira (3) que devem apoiar as mudanças na remuneração das cadernetas de poupança. O governo anunciará ainda nesta noite a edição de uma medida provisória que modifica o cálculo de rendimento para os novos depósitos feitos a partir desta sexta (4).

Para os depósitos já feitos até esta quinta, não haverá mudança – o rendimento permanecerá em 0,5% ao mês, mais TR (taxa referencial). Os novos depósitos terão uma remuneração diferente, de 70% da Selic, mais TR. Os rendimentos da caderneta continuarão isentos de pagamento do Imposto de Renda.

“Do ponto de vista da Força Sindical, como não mexe nas atuais poupanças, essas pessoas não têm seus direitos feridos e a Força Sindical tem uma tendência de apoiar […] Daqui para frente a pessoa que for aplicar pode escolher. Então, portanto, achamos que é positivo e vamos defender”, afirmou o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

Ele contou ainda que a presidente Dilma afirmou, durante a reunião, que se preocupa com três variáveis econômicas que podem prejudicar o Brasil. “A presidente disse que três coisas amarram o país: juros altos, excesso de impostos e câmbio desvalorizado”, disse.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, afirmou que vai analisar a proposta “com cautela”, mas adiantou que considera positivo o fato de as modificações só afetarem futuras aplicações na poupança. “A CUT vai analisar a proposta e vai depois de pronunciar oficialmente. A medida tem que ser analisada com cautela. Não mexe com as atuais poupanças. Isso é positivo”, disse.

Queda da Selic

O objetivo do governo com as mudanças na poupança dar condições para que o Banco Central continue reduzindo a taxa oficial de juros (Selic). “É importante criar as condições para continuarmos podendo baixar os juros e continuar financiando a produção de forma adequada”, declarou mais cedo nesta quinta o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Atualmente, os juros básicos da economia, definidos a cada 45 dias pelo Banco Central, estão em 9% ao ano, pouco acima do piso histórico de 8,75% ao ano, que vigorou entre julho de 2009 e abril de 2010, na primeira etapa da crise financeira internacional.

Um recuo mais forte da taxa de juros, abaixo de patamares mínimos já registrados (8,75% ao ano), poderia comprometer a chamada “rolagem” da dívida pública, que é a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo.

Na poupança, está assegurado o rendimento de 6% ao ano mais Taxa Referencial (TR). A modalidade de investimentos também não tem tributação do Imposto de Renda, diferentemente dos fundos de investimentos, nos quais a alíquota do IR varia de 15% a 22,5%, dependendo do tempo de aplicação.

Fonte: G1.com