Segundo as pesquisas da Aneel o mau desempenho do fornecimento de energia da Celg, gerou compensações em todo País

Considerada a concessionária com o pior desempenho no fornecimento de energia no País, a Celg foi responsável por 12% das compensações financeiras por conta de interrupções no serviço registradas no País em 2013. Informações do balanço anual divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revelam que, no País, foram 100,2 mil compensações no ano passado. Apenas em Goiás, foram registradas 12,1 mil.

No País, foram R$ 346 milhões de crédito nas contas de energia em 2013 pelo não cumprimento de índices de qualidade. A Celg foi responsável por 16% deste valor, ou seja, ela pagou R$ 55,7 milhões aos consumidores goianos pelas 40,03 horas que ficaram sem energia e por 26,24 interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Pela regulamentação, as distribuidoras que não atingirem os indicadores de qualidade – ou seja, ultrapassam os limites estabelecidos para número de falhas e duração das interrupções-, precisam reembolsar os consumidores, por meio de crédito nas faturas. A avaliação sobre a prestação dos serviços é feita mensalmente pela agência e o reembolso aos consumidores ocorre automaticamente em até dois meses depois.

A quantidade de compensações não é necessariamente igual ao número de consumidores compensados, uma vez que um mesmo consumidor pode ser compensado mais de uma vez.

No ano passado, cada consumidor ficou, em média, 40,03 horas sem energia em Goiás. O limite estabelecido pela Aneel foi de 17,29 horas. A frequência de interrupções, por sua vez, foi de 26,24 vezes, contra um limite de 16,76 vezes. Goiás tem R$ 2,5 milhões de consumidores.

Dirigente reconhece desvio

O presidente da Celg, Leonardo Lins de Albuquerque, reconhece que a Celg é a concessionária “com maior desvio do que a Aneel estabelece como meta” e diz que os ressarcimentos foram realizados conforme previsto pela legislação.

“Se interromper o serviço, existe a regulamentação prevendo a compensação.” Lins avalia que o dinheiro pago pela compensação (R$ 55.7 milhões) poderia ser revertido em investimento. Mas, segundo ele, há um plano de investimento em curso, cuja continuidade depende do acerto do acordo com a Eletrobras. “O programa de investimento é um produto muito grande. ”

O índice de desempenho global de continuidade (DGC) da Celg, que é a média entre a duração e a frequência de interrupção do serviço, ficou em 1,94 – o maior dentre as 35 concessionárias pesquisadas, conforme matéria publicada pelo POPULAR no dia 27 de março deste ano. Quanto maior o índice, pior é a qualidade do serviço em relação aos padrões da Aneel. Esta foi a primeira vez que a Celg aparece na lanterna do ranking.

Fonte: O Popular