A inadimplência do consumidor no Brasil em 2013 caiu 2%, afetada por maior rigor de instituições financeiras na concessão de empréstimos, afirmou a empresa de informações de crédito Serasa Experian. Segundo a companhia, essa queda foi a primeira em 13 anos, ou seja, desde o início do indicador. A gerente de relacionamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL), Dina Marta Correia Batista, diz que “a inadimplência em Goiás, e mais especificamente em Goiânia, acompanha os índices nacionais, com pequenas variações (frações), uma vez que os dados do Estado já foram compilados na avaliação nacional”. Ela informa que Goiânia concentra 57% dos inadimplentes goianos.

Dina fala que são muitos os fatores que colocam a Capital na dianteira dos inadimplentes goianos. “A economia da Capital do Estado de Goiás representa 25% de toda produção estadual e movimenta bilhões de reais em todos os setores da economia, principalmente quando nos referimos ao comércio, um subsetor dos serviços bastante representativo em toda a região”, esclarece a gerente.

“O comércio goianiense é tão presente que em vários pontos da cidade, nota-se sua presença”, salienta. Para a representante da CDL, isso é bastante visível, “seja nos shopping centers ou nas famosas lojas de rua a demanda é forte assim como a oferta, há vários produtos disponíveis assim como muitos consumidores demandando diversos tipos de produtos”. 

Lembra que essa realidade é retratada em números. “No ano passado somente Goiânia foi responsável por 52% do volume total das vendas no comércio em todo o Estado”. Por isso diz que, “uma triste realidade que não reflete nenhuma surpresa é o nível de inadimplência, que seguindo o volume de vendas, responde por 57% do volume de inclusões no SPC em nível estadual”.

Destaca que, com uma população de mais de 1,3 milhão de habitantes, Goiânia representa 22% dos moradores de Goiás, ou seja, o resultado da alta concentração de vendas e inadimplência não deveria ser diferente.  “Ainda mais quando analisamos o perfil do consumidor e do inadimplente”, declara Dina Marta.

 Em Goiânia, segundo o Censo de 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há mais mulheres (52%) do que homens (48%). Onde essa proporção é refletida nas vendas e na inadimplência. A idade também é outra característica relevante, as vendas e a inadimplência estão mais concentradas nas faixas etárias de 30 a 49 anos, cerca de 50%. Aproximadamente 60% do valor das dívidas registradas no SPC Brasil variam num intervalo de zero a R$100. “O resultado desse indicador reflete que as compras do consumidor goianiense são divididas em muitas parcelas, porém com baixo valor”, esclarece.

Atenção

Dina Mara recomenda cautela e atenção na compra a prazo. “É nesse momento que o consumidor deve ficar atento ao seu orçamento, ele não vai quitar suas dívidas todas de uma vez e nem terá que desembolsar um alto valor, entretanto terá que arcar com uma dívida por um longo período, assim uma parcela de seus ganhos futuros estarão comprometidos e não poderá contar com esses recursos para outros fins”. Isso quer dizer que para não entrar no vermelho e ter seu nome negativado, o consumidor precisa ter consciência, ser racional e ficar atento.

Recuo anual

Segundo a Serasa Experian, o recuo anual foi puxado por uma queda de 9,4 pontos percentuais no volume de cheques devolvidos e uma retração de 4,8% na inadimplência de dívidas não bancárias – que incluem itens como cartões de crédito, dívidas financeiras, com varejistas e prestadores de serviço. Em 2012, a inadimplência do consumidor havia crescido 15%, após alta de 21,5% em 2011, o maior pico desde 2000.

Apesar da queda no volume de cheques devolvidos, o valor médio das dívidas com cheques sem fundos avançou 7,9%  em 2013, passando de R$ 1,5 mil em 2012 para R$ 1,6 mil no ano passado. Enquanto isso, o valor médio das dívidas não bancárias caiu 2,3%, de R$ 322,60 para R$ 315,12. A inadimplência junto às insituições bancárias ficou praticamente estável, avançando 0,6% em 2013.

Considerando apenas o mês de dezembro, um dos mais movimentados do ano para o varejo, a inadimplência do consumidor brasileiro teve queda de 6,5% na comparação anual, sétima queda consecutiva de acordo com a Serasa Experian. Em relação ao mês de novembro, os calotes do mês passado subiram 2,7%.

Fonte: Diário da Manhã