O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, não deu novas pistas sobre os próximos passos da política monetária no País em seu discurso de abertura do XVI Seminário Anual de Metas de Inflação, ontem, na zona sul do Rio de Janeiro. Embora a taxa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulada em 12 meses continue acelerando em direção ao teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%, Tombini afirmou que o Brasil vive um período de 15 anos de inflação controlada, desde que o regime de metas foi implantado.

“São 15 anos de inflação sob controle, graças a um arcabouço de política monetária, baseado no compromisso claro e explícito com a estabilidade de preços, e apoiado na transparência, fácil aferição e simplicidade do regime”, declarou Tombini, na abertura do evento.

Segundo ele, o regime mantém flexibilidade suficiente para ajustar-se aos choques econômicos, mas sua operacionalização exige constante esforço de aperfeiçoamento e atualização do conhecimento sobre a evolução da economia e dos canais de transmissão da política monetária. A menos de duas semanas da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), tanto Tombini quanto os diretores do BC evitaram falar com os jornalistas.

Depois da decepção com a fala de Tombini, o mercado financeiro aguarda que o presidente do BC dê hoje novos sinais sobre a política monetária no discurso de encerramento do seminário. Dessa vez, Tombini deve incluir uma análise da conjuntura doméstica e internacional.

“Minha expectativa é de que Tombini dê sinais que confirmem que o ciclo de alta da Selic será encerrado na próxima reunião”, disse um economista de mercado presente ao seminário, que espera que a próxima reunião do Copom mantenha a taxa básica de juros no atual nível de 11% ao ano.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, destacou também durante o seminário que a projeção da inflação é um desafio com o qual os formuladores de políticas monetárias estão diariamente ocupados.

SAIA JUSTA

As previsões para a inflação no Brasil vêm trazendo sucessivamente números subestimados, segundo estudo apresentado por Wagner Gaglianone, economista do Banco Central. Para a economista Raffaella Giacomini, da University College London, que foi escalada pelos organizadores para comentar o estudo, uma das possíveis explicações para a sistemática subestimação seria o fato de que o País vem apresentando taxas de inflação acima do centro da meta, o que acaba criando expectativas por um arrefecimento.

De acordo com um economista de uma gestora de recursos, a explicação de Raffaella colocou o Banco Central, que organizou o seminário, numa “saia justa”. “Como está sendo a inflação com relação à meta? Tem sido acima da meta (do centro da meta) em boa parte da amostra”, afirmou Raffaella. Segundo ela, os analistas erroneamente acreditaram que a inflação poderia convergir para o centro da meta, mas essa prova de confiança na habilidade do BC de controlar a inflação pode arrefecer após serem vistas seguidas violações da meta. “As previsões erradamente acreditavam que a inflação poderia ser trazida para baixo na meta”, acrescentou.

Fonte: O Popular