A saída de dólares na economia brasileira superou o ingresso da moeda em US$ 1,9 bilhão no início de setembro, informou o Banco Central nesta quarta-feira (10).

O movimento de retirada de divisas do país, que foi contabilizado em apenas cinco dias úteis (entre os dias 1 e 5 deste mês), acontece após a saída de US$ 3 bilhões em agosto – a maior retirada mensal de 2014. Em julho deste ano, US$ 1,79 bilhão já haviam deixado a economia brasileira.

No acumulado deste ano, o fluxo de dólares também está no vermelho, ou seja, com mais saída do que entrada de recursos. Na parcial de 2014, até 5 de setembro, US$ 2,6 bilhões deixaram o país. Em igual período do ano passado, US$ 97 milhões haviam entrado no Brasil.

Impacto no dólar

A saída de recursos registrada no início deste mês favoreceria, em tese, a alta do dólar. Isso porque, com menos moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia, teoricamente, a ficar maior. De fato, o dólar tem subido em setembro. No final de agosto, a moeda norte-americana estava cotada em R$ 2,23, avançando para R$ 2,29 nesta quarta-feira (10), por volta das 12h40.

Além do fluxo de dólares, outros fatores também influenciam a cotação do dólar no Brasil. Entre elas, estão as sinalizações sobre a política monetária nos Estados Unidos e as intervenções do Banco Central no mercado futuro da moeda norte-americana, por meio da oferta dos contratos de “swap cambial” – instrumentos que funcionam como venda de dólares no mercado futuro, com impacto no mercado à vista.

O BC brasileiro tem prosseguido com suas intervenções diárias no mercado com os “swaps cambiais”. Recentemente, o BC anunciou que manterá as intervenções diárias no mercado futuro de câmbio até o fim deste ano.

Os analistas do mercado financeiro acreditam que o dólar terá alta até o final deste ano. Pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras, na semana passada, revela que a previsão dos economistas para o dólar, no fim de 2014, é de R$ 2,35.

Como funcionam os swaps cambiais

Os swaps cambiais são contratos para troca de riscos. O Banco Central oferece um contrato de venda de dólares, com data de encerramento definida, mas não entrega a moeda norte-americana. No vencimento deles, o BC se compromete a pagar uma taxa de juros sobre valor dos contratos e recebe do investidor a variação do dólar no mesmo período.

É uma forma de a instituição garantir a oferta da moeda norte-americana no mercado, mesmo que para o futuro, e controlar a alta da cotação. Assim, o BC acalma a procura por dólares sem mexer nas reservas internacionais.

O investidor, preocupado com a tendência de alta, tem interesse em comprar dólares. Quando aceita a operação, fica estimulado a querer a queda ou a manutenção do dólar, para que não tenha que pagar ao banco mais do que receberá em juros. Essa taxa, normalmente, acompanha a Selic, que é a taxa básica da economia brasileira e hoje está em 11%. Se o dólar tiver variação acima disso, por exemplo, quem perde é o investidor.

 

Fonte: G1