O ministro brasileiro das Relações Exteriores, José Serra, defendeu que o Mercosul precisa de mais tempo para decidir se a Venezuela pode ou não assumir a condução do bloco, durante reunião na terça (5) com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, e o chanceler uruguaio Rodolfo Nin Novoa.

O Mercosul é presidido pelo Uruguai desde o começo do ano, e a Venezuela deveria assumir o posto em julho, segundo a regra de rotatividade do bloco. A sequência dos países que ocupam o cargo é definida por ordem alfabética e a troca é semestral.

Mas a cúpula de julho foi suspensa, e o Paraguai solicitou uma reunião no próximo dia 11, em Montevidéu, com os chanceleres de Brasil, Uruguai e Argentina para discutir a situação da Venezuela. Nela, Assunção pretende pedir a suspensão da Venezuela ou ao menos vetar que ela assuma a presidência do bloco.

De acordo com a agência AFP, na reunião com os uruguaios, Serra pediu mais tempo e disse que a presidência tem que ser fruto de uma unanimidade.

Em agosto vence o segundo prazo dado à Venezuela para cumprir os requisitos normativos do Mercosul, e o chanceler brasileiro acredita que seria melhor esperar pelo menos até essa data. “Estamos trabalhando para ver se em agosto podemos convergir para uma decisão final”, disse Serra.

Em uma delcração reproduzida pelo jornal argentino “La Nación”, o presidente argentino Maurício Macri disse que seu país poderia assumir a presidência nos próximos meses no lugar da Venezuela.

‘Complô’

A sugestão de Serra não foi bem recebida pela chanceler venezuelana Delcy Rodríguez, que em seu perfil no Twitter acusou o brasileiro de apoiar um “complô” para evitar que seu país assuma a presidência do Mercosul. Ela escreveu que as declarações de Serra foram “insolentes e amorais”.

Na segunda-feira, Nin Novoa confirmou que o Uruguai pretende seguir o cronograma e repassar à Venezuela a presidência temporária do Mercosul ainda em julho. A declaração gerou protesto imediato do Paraguai, que não concorda que o controle do bloco seja entregue a Nicolás Maduro.

No programa “En Perspectiva”, da Radio Oriental, Nin Novoa respondeu ao colega paraguaio: “Ainda não fechou. O dia em que fechar (o parlamento) me junto ao chanceler paraguaio Eladio Loizaga e aí sim tomamos alguma medida. Não podemos nos guiar por coisas que supostamente vão acontecer. Temos que nos guiar pelos fatos efetivos que acontecem”.

“O que acontece é que o jurídico se impõe sobre o político. O político seria não dar a presidência à Venezuela”, disse o chanceler uruguaio.

Nin Novoa argumenta que a Venezuela é “uma democracia autoritária” e reconhece que “há uma alteração, sem sombra de dúvida”. “No entanto, não há uma ruptura institucional. No dia em que houver uma ruptura institucional, veremos”, opinou.

A Venezuela se tornou um membro do Mercosul em 31 de julho de 2012, um mês após o Paraguai ser temporariamente suspenso do bloco após a queda do então presidente Fernando Lugo e a posse de Federico Franco. A suspensão foi mantida até 2013, quando aconteceram novas eleições presidenciais no país.

O país presidido por Nicolás Maduro vive um estado de emergência econômica desde janeiro e tem seu estado democrático questionado. O presidente venezuelano ameaça fechar o Congresso, que desde as eleições de dezembro de 2015 é controlado pela oposição.

Fonte: G1