O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse nesta terça-feira (22), durante teleconferência com jornalistas estrangeiros, que, apesar do rebaixamento da nota do Brasil por agências de classificação de risco, o país continua um lugar seguro para investir.“Apesar da revisão da nota do Brasil por duas agências, os títulos brasileiros continuam sendo um bom investimento e o Brasil continua um lugar seguro para investir”, disse Barbosa.

Na semana passada, a agência de classificação de risco Fitch revisou a nota do Brasil para grau especulativo. Foi a segunda agência a anunciar a medida – em setembro, a Standard & Poor’s já havia rebaixado o país.

Barbosa disse que o governo brasileiro que estabilizar os investimentos no ano que vem para, na sequência, elevá-los. Para isso, pretende “aumentar a previsibilidade do retorno” financeiro para quem aplica no Brasil, além de aprimorar as regulações em setores de infraestrutura.

“Temos certeza de que isso vai levar a um aumento nos investimentos no Brasil no ano que vem”, disse. Entre os projetos que o governo pretende leiloar em 2016, informou o ministro, estão as concessões dos aeroportos de Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Florianópolis.

 

CPMF

Barbosa foi questionado sobre o plano B do governo, caso o Congresso não aprove, em 2016, a volta da CPMF, conhecida como imposto do cheque. O ministro afirmou que o governo está dedicado a aprovar a nova taxa, mas disse que se isso não for possível vai compensar com outras medidas para elevar as receitas ou então corte de gastos.A aprovação da CPMF foi considerada na proposta de Orçamento aprovada pelo Congresso para 2016 como medida necessária para que o governo consiga fazer um superávit (economia para pagamento de juros da dívida) de 0,5% do PIB, cerca de R$ 24 bilhões.

Fonte: G1

 

Pedaladas

Questionado sobre o cronograma de pagamento da dívida do governo com bancos públicos por conta das chamadas “pedaladas fiscais”, Barbosa disse que uma decisão sobre isso foi adiada para a próxima semana.

Na segunda (21), durante teleconferência com investidores nacionais e estrangeiros, Barbosa havia dito que o governo anunciaria ainda nesta semana o calendário de pagamento.

O Tribunal de Contas da União (TCU), em decisão do dia 9 de dezembro, deu 30 dias para que o governo apresente o cronograma.

“Planejamos pagar o quanto for possível”, disse Barbosa sobre a dívida das pedaladas, estimada em R$ 57 bilhões. Ele informou que o governo ainda não definiu de onde vai retirar os recursos para fazer o repasse aos bancos, como Caixa e Banco do Brasil. Entre as possibilidades está a emissão de títulos.

“Pedaladas” são o atraso do governo no repasse de recursos do Tesouro para bancos públicos para o financiamento de programas como o Bolsa Família, o Abono Salarial e o Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

Com o atraso do governo, os bancos tiveram que financiar os programas com recursos próprios. O Tribunal de Contas da União (TCU) analisou as “pedaladas” realizadas entre 2013 e 2014 e concluiu que elas constituíram em empréstimo dos bancos ao governo, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Ainda de acordo com o tribunal, a medida teve o objetivo de maquiar as contas públicas.

 

Petrobras

Barbosa negou que o governo avalie a possibilidade de injetar recursos na Petrobras. “Não acho necessário injetar dinheiro na Petrobras, estamos longe disso. Acho que as melhores soluções são as soluções de mercado”, disse.

O ministro ainda avaliou que, entre os setores que devem despertar, no Brasil, o interesse dos investidores no ano que vem estão o de energia e o de telecomunicações.

Fonte: G1